Victoria Beckham: «Tenho orgulho de ser uma mulher de negócios e a melhor mãe e mulher que posso ser»

A «eterna» Spice Girl é hoje empresária e ícone das redes sociais – para além de estar envolvida no mundo da arte. Pelo meio há ainda tempo para o papel de mulher e de mãe. Sempre em grande estilo.

Texto de Victoria Moss – The Telegraph/The Interview People/ Tradução: Ricardo Santos

É engraçado falar com Victoria Beckham, tal como acontece às vezes quando nos cruzamos com uma velha amiga que acaba de postar 487 fotografias das férias no Facebook – o que perguntar quando já se viu tudo? A senhora Beckham teve, como sabe toda a gente que a segue no Instagram, que lê um jornal ou que navega pela internet, «um belo verão». E realmente teve-o. Primeiro na Indonésia e, depois, refugiando-se no iate de Elton John no sul de França.

Tivemos David [Beckham] a flutuar num pavão insuflável, Brooklyn e Romeo a mergulhar no mar; Harper cortou o cabelo – «que chique», como escreveu na hashtag.

Mas agora esta mãe de quatro, com 44 anos, voltou ao trabalho num estilo profissional tipicamente coreografado. Primeiro, revelou-se nas últimas semanas – em família – na capa da Vogue britânica, com um vídeo a acompanhar (o leitor tem de ver, é muito divertido). No filme, Victoria – com a ajuda do editor Edward Enninful (excelente cara para o póquer) – lança o estereótipo da estilista-estrela; posa num macacão em látex do tempo das Spice Girls, com o vestido que usou para fazer parar e subir para um táxi na cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres e até com o seu vestido de noiva de Vera Wang – aquele apanha-migalhas (como descrito na extensa cobertura que a revista. OK fez há dezanove anos), rodado e espartilhado.

«É um vestido tão bonito», diz-me Victoria pelo telefone, enquanto é conduzida para fora de Londres em direção ao fim de semana.«Devo dizer que foi mesmo muito sim pático poder vesti-lo novamente». Esta viagem nostálgica pela história do seu estilo pessoal – tronos de ouro e tudo – dá uma ajuda nas celebrações dos dez anos da sua marca de moda. Victoria começou a linha «com apenas uma outra mulher» e agora dá emprego a cerca de cem. De uma indefinida apresentação de dez vestidos, desenhados para parecer bem de qualquer ângulo, cresceu para um império totalmente desenvolvido de roupa e de acessórios, com lojas em Londres e Hong Kong.

É ao mesmo tempo uma surpresa e talvez, dada a sua tenacidade para o sucesso, uma verdade indesmentível que, até agora, a sua aposta na moda tenha compensado. En- quanto a sua metamorfose de estrela pop para cintilante Wag, e depois para aguçada mulher de negócios bem vestida, poderia ter sido prevista, não era garantido que as mulheres fossem realmente comprar as suas roupas – alguma com custos consideráveis.

Empresária de moda

As suas primeiras investidas na moda com jeans incrustados com diamantes falsos e óculos de sol (ambos sob licença de outras marcas) fez sentido para o seu público. Mas será que as mulheres crescidas, sofisticadas, com dinheiro, compram os seus produtos? A resposta, como sempre, é se as suas roupas forem suficientemente boas, então sim. A empresa apresentou receitas de cerca de quarenta milhões de euros nos últimos dois anos. Victoria Beckham reconhece a curva de aprendizagem. «Tem sido uma jornada inacreditável, mesmo quando as coisas são desafiadoras. Tenho de aprender de forma incrivelmente rápida. Sou a diretora criativa e proprietária desta marca.»

Uma coisa que destaca é: «Realmente confio nos meus instintos e penso que é algo que , vem com a idade para ser honesta consigo.» Victoria dá crédito ao trabalho crucial da sua equipa no sucesso da marca, e refere satisfeita que está «orgulhosa de ser uma mulher de negócios» bem como «uma mãe e uma mulher. Estou orgulhosa de tudo.»

Victoria certamente não facilita. A sua ética de trabalho está em sintonia com qualquer executiva com a dura pena de tentar fazer tudo. Levanta-se «mesmo muito cedo. Depois vou para o ginásio durante duas horas, antes de as crianças acordarem. A seguir vou para a cozinha com o David, preparando-os para a escola, terminando algumas partes que faltam dos trabalhos de casa. Dividimos o transporte das crianças para a escola, e depois vou todos os dias para o estúdio, cinco vezes por semana.» Victoria é persistente em «estar sempre em casa para jantar» e tentar o máximo possível para «passar muito tempo com o David e com as crianças, para ser a melhor mãe e a melhor mulher que posso ser».

Para ela, a ambição é um estado mental. No final do ano passado, conseguiu cerca de 34 milhões de euros de investimento através de investidores privados, um novo CEO (Paolo Riva, antes da DVF – Diane von Furstenberg) e um novo chairman, Ralph Toledano, que tem um impressionante pedigree na moda.

Gosto e estilo

«Digo sempre para se sonhar em grande e há muitas coisas que quero fazer com a marca, mais categorias e colocar o meu pé no acelerador. Preciso de trazer pessoas para me ajudarem, pessoas que já fizeram isto antes», acrescenta, entendendo que a experiência no mercado de luxo de sucesso e números competitivos são as chaves.

A vantagem da sua oferta sempre foi o seu gosto e estilo – o seu elemento indispensável para o outono é um casaco com padrão leopardo, recentemente usado por pela sua «atriz favorita de todos os tempos», Cate Blanchett

À medida que começa timidamente a concentrar-se nas suas roupas, está agora a ir buscar toda a carga da marca VB, ou como a própria diz, «a colocar Victoria de volta em Victoria Beckham». É por isso que voltou ao conceito do ensaio fotográfico do saco de cartão, que mexeu com o seu irónico sentido de humor, quando aceitou que Marc Jacobs a sacasse da cartola para a campanha da sua marca, uma década atrás. Beckham também mudou o desfile de moda, por uma temporada, de Nova Iorque para a Semana da Moda de Londres.

As comemorações começaram em grande estilo, após o seu espetáculo, com «toda a família» presente na primeira fila e ela atrás do balcão da sua loja na Dover Street a vender e a autografar T-shirts comemorativas (e tudo o mais que os clientes quiserem) com a imagem da cara estampada na mala. A campanha também será projetada em Piccadilly Circus «quando era criança os meus pais levavam-nos sempre de carro a Londres e mostravam-nos o Big Ben e o Palácio de Buckingham, e depois davam sempre a volta a Piccadilly Circus. Lembro-me de olhar para cima e pensar ‘Uau, que fixe seria ver o meu nome literalmente nas luzes’». E isto recorda-nos que esta é a menina que quer isto, mesmo muito, há já muito tempo.