Ricardo Melo Gouveia: o algarvio que quer bater Tiger Woods

É a grande aposta portuguesa no golfe internacional. Por estes dias, esteve a dar provas no Portugal Masters que se realizou de 19 a 23 de setembro, no Dom Pedro Golf Course, em Vilamoura, a terra natal onde gosta sempre de voltar a jogar. Ficou em sétimo lugar e está mais próximo de alcançar a manutenção no Circuito Europeu.

Texto de Ana Patrícia Cardoso

Com apenas 27 anos, Ricardo Melo Gouveia pode orgulhar-se de já ter trilhado um caminho de sucesso no golfe profissional. Em 2015, o European Challenge Tour em 2015 (Road to Oman), tendo sido o primeiro português a conquistar a segunda liga do golfe europeu. Nesse mesmo ano, chegou a 77º do ranking mundial de jogadores, a melhor classificação de sempre por um português.

«O meu sonho é ser o número um mundial. Acho que todos os jogadores sonham com isso. Mas sei que ainda tenho que trabalhar muito».

Representou Portugal nos Jogos Olímpicos de 2016, uma experiência que não esquecerá. «Foi muito positivo. Estar na aldeia olímpica e conviver com os outros atletas, vê-los a treinar é muito inspiracional. Sem dúvida, quero voltar a estar lá, em 2020, no Japão.» Não é coisa pouca mas este algarvio nascido e criado em Vilamoura. Mas ainda há muito por conquistar.

«O meu sonho é ser o número um mundial. Acho que todos os jogadores sonham com isso. Mas sei que ainda tenho que trabalhar muito». Um trabalho que iniciou muito novo. «Comecei aos seis e a competir aos oito, nove anos. Normalmente, os jogadores começam nessa idade. Devagar, claro, mas ganhamos-lhe o gosto.»

Desde então não tem parado e sabe que para chegar onde quer, tem de se manter focado e cuidar da saúde física e mental. «Tem de se treinar muitas horas. E a qualidade do treino também é muito importante. Há que ter objetivos claros. A recuperação do corpo também é fundamental. Faço fisioterapia e massagens porque preciso estar preparado para jogar e evitar ao máximo as lesões, que é o pior que pode acontecer a um atleta.»

O atleta mantém uma rotina diária rígida porque, afinal, «nada se consegue sem trabalho. Podes ter talento, mas é preciso estar no campo todos os dias para seres o melhor».

Em 2016, Ricardo começou a valorizar a questão mental e tem vindo a sentir a diferença. «Estava a jogar o European Tour e senti que precisava mesmo de fortalecer esse lado. A maior parte dos jogadores treina a mente para a pressão e para o jogo e acho que faz todo o sentido. Tem-me ajudado bastante, principalmente em fases menos boas. Nos últimos meses, as coisas não têm corrido da melhor maneira e se não tivesse bem a esse nível, se calhar não estava a jogar como estou hoje».

O atleta mantém uma rotina diária rígida porque, afinal, «nada se consegue sem trabalho. Podes ter talento, mas é preciso estar no campo todos os dias para seres o melhor». Em Londres, onde mora, às 07h30 está no ginásio e, às 10h00, no campo de golfe. O treino vai até às 16h00. «São muitas horas, mas é mesmo necessário que assim seja. Depois, volto para casa e faço o meu treino mental, incluindo meditação».

Não acredita em superstições mas, sim, em sonhos profissionais. Um deles tem um gosto particularmente especial. «O meu sonho era vencer o Tiger Woods. Ele passou por uma fase difícil mas continua a ser ‘o’ Tiger Woods. Sempre foi um ídolo meu. Lembro-me que, em 2015, estava a jogar o Challenge Tour e quando vi que, no ranking mundial, tinha ultrapassado o Woods, foi um momento incrível», relembra.

Ainda que pareça um jogo solitário, a equipa técnica é valiosa. «Tenho a sorte de estar rodeado das pessoas certas. Começou pelo meu pai – atualmente é o seu caddy – que sempre me apoiou em tudo. É fundamental a estabilidade em casa. Não tenho preocupações fora do golfe.»

Assume que há camaradagem entre os jogadores fora do court, sobretudo na Europa. «Por cá há muito mais esse espírito que no torneio americano, por exemplo». É a deixa para a pergunta seguinte. – Se o presidente Trump o convidasse para jogar uma partida de golfe, aceitava? «Aceitava». Ficamos à espera do jogo. E a torcer pelo português.