A empresa mais portuguesa do vinho do Porto faz 100 anos

Um século de vida é assunto para mais do que uma geração. Desde 1918, a família Poças detém a empresa com o mesmo nome e é hoje o único grande produtor de vinhos do Porto e Douro cem por cento português – com todos os ramos da família representados no negócio. E eles garantem que estão prontos para mais cem anos.

Texto de Fernando Melo

Criou‑se a evidência, logo desde o primeiro instante, de que os destinos da família passariam pelo vinho do Porto. O arranque deu‑se com o negócio da aguardente, para o fornecimento aos exportadores, ideia de Manoel Domingues Poças Júnior (1888), fundador da empresa, em 1918, e avô dos três atuais representantes da terceira geração – o cargo tinha, então, a designação formal de comissário das aguardentes.
Pouco tempo depois da Primeira Guerra Mundial, Manoel Domingues viria a dedicar‑se ele próprio à exportação de vinho do Porto. «O nosso avô era uma pessoa especial,
tratávamo‑lo por padrinho», recorda Acácio, com um sorriso que se comunica aos primos Manuel e Jorge. «Dizia que não tinha netos, que não tinha ainda idade para ser
avô.» Nasceram todos na mesma casa, que era várias casas numa só, comunicando apenas pelo pátio. «Não havia portas interiores comunicantes.»

O fundador teve duas filhas – não houve varão – Cacilda (1913) e Maria Teresa (1915), que se casaram, respetivamente com Joaquim Maria Pintão Júnior, alentejano de Alter do
Chão, e Acácio Ribeiro Maia, comerciante de tecidos com casa estabelecida no Porto. A sucessão por via feminina está por isso na génese da família Poças, assim como sentimento de clã.

Conheça a história da família Poças, na primeira edição da revista DN Ócio, nas bancas a partir de 1 de julho.