O mundo cor-de-rosa de Mary Kay Ash

Estávamos em 1963. De um investimento de cerca de 4400 euros nascia uma empresa de venda direta de cosméticos. A loja tinha cerca de 500 metros quadrados e ficava em Dallas. A fundadora? A texana Mary Kay Ash.

Conta-se que foi no dia em que Mary Kay Ash viu um homem a quem tinha dado formação ser promovido em vez dela que se despediu, em jeito de protesto. E foi esse o ponto de partida para o fabuloso mundo cor-de-rosa de Mary Kay. Assim nascia uma empresa que conta com 55 anos de existência.

Em Portugal está há mais de 20, com milhares de consultoras que, todos os anos, durante um seminário, partilham experiências, histórias, entusiasmo – tudo em tons de rosa – e veem o seu trabalho ser reconhecido. Sobem ao palco e recebem prémios. Há equipas formadas. Há gritos de apoio, cânticos decorados, como verdadeiras «cheerleaders» de consultoras da marca. Qual jogo de futebol de saltos altos.

Este ano, de 2018 – ano em que Mary Kay Ash faria 100 anos, se fosse viva – a DN Ócio assistiu ao evento, que decorreu no Centro de Congressos em Lisboa, e ainda esteve à conversa com a presidente para a Região Europeia, Tara Eustace. «Não esperávamos tanto entusiasmo e energia», confessamos a Tara para início de conversa. «Trabalho há mais de 25 anos nesta empresa e isso é algo que oiço constantemente. Quando a minha mãe que ouviu falar na marca a vida toda, assistiu ao primeiro seminário, nos EUA, disse-me que não fazia ideia de que seria tão divertido, enérgico e que as pessoas estão tão motivadas e empenhadas. Às vezes torna-se cansativo estar tão envolvida no projeto todos os dias», confessa sorrindo.

Tara Eustace licenciou-se em Estudos Russos e Relações Internacionais, nos EUA. Foi durante os meses que viveu na Rússia que conheceu a Mary Kay.

Tara Eustace orienta, desde 2002, os treze países que compõem a Região Europeia, nomeadamente a Arménia, Républica Checa, Alemanha, Cazaquistão, Lituânia, Moldávia, Polónia, Rússia, Eslováquia, Espanha, Ucrânia, Reino Unido e claro, Portugal. «O mercado português tem muito potencial. Já estive em vários seminários nestes mais de 20 anos anos, conheço muitas destas mulheres, mas hoje vi aqui muitas caras novas. E jovens. Há sangue novo. É sinal que falamos ao coração de todas as gerações. Acredito que o mercado Português vai duplicar», garante Tara que chegou a conhecer Mary Kay Ash. «Ela é um exemplo. Uma mulher incrível tão cheia de força. Não pedia a ninguém para trabalhar mais do que o que ela estava preparada para trabalhar. Há muitas empresas por aí mas nenhuma teve a Mary Kay Ash. É a nossa inspiração.»

Tara Eustace orienta, desde 2002, os treze países que compõem a Região Europeia, nomeadamente a Arménia, Républica Checa, Alemanha, Cazaquistão, Lituânia, Moldávia, Polónia, Rússia, Eslováquia, Espanha, Ucrânia, Reino Unido e claro, Portugal.

Na empresa desde 1993, Tara foi um membro chave da equipa que iniciou o negócio na Rússia, que é atualmente um dos quatro maiores mercados da Mary Kay. Liderou ainda as equipas que iniciaram o negócio na Ucrânia, Polónia ou Cazaquistão. «Chegamos a países com culturas muito diferentes, mas o que percebi ao longo destes anos é que as mulheres por todo o mundo são muito semelhantes. Querem as mesmas coisas: oportunidades para elas, para os filhos, para a família, poder ter um equilíbrio entre uma carreira e família, ou hobbies», admite.

Com dois filhos, uma de 10 e outro de 3, confessa que lhe vai faltando o tempo para hobbies. «Tenho tempo para os hobbies deles. De resto, passo o tempo a ajudar estas mulheres», diz, revelando no entanto que tem viajado quando pode. Aliás, as férias de Páscoa, passou-as em Portugal. «Adoro Lisboa, hoje quando o motorista estava a tentar fazer de guia, dizendo que estávamos a passar pela Torre de Belém interrompi-o logo e disse que sabia. Lisboa é um dos meus locais preferidos para visitar. Mas este ano, em abril, estive em Faro, trouxe a minha família. Adoro vir cá. Se pudesse viver noutro local, seria em Lisboa», atira.

E por isso, regressar a Portugal para cada um dos seminários é sempre um prazer para Tara. «Estes encontros envolvem sempre um grande investimento de energia e de dinheiro, claro. São sempre realizados nos próprios países, na sua língua. As consultoras adoram, porque são reconhecidas. Recebem um novo carro ou uma viagem. Ou simplesmente pisam o palco. Além disso damos informações sobre novos produtos. E ajudamo-las a definir os objetivos. Há uma competitividade. Vejo os seminários como um momento fulcral para lançar o ano», explica enquanto conversa com a DN Ócio numa sala atrás do palco.

Do outro lado continuam mulheres enérgicas a cantar, a partilhar histórias ou entoando os «gritos de guerra» de cada equipa. «É uma forma de viver. Diz-se que se encontras um emprego de que gostas não vais trabalhar um único dia na tua vida. Quando me perguntam o que faço, eu digo que enriqueço a vida de outras mulheres, mudo as suas vidas, faço com que se sintam confiantes. Acredito muito nisso.»