Le Petit Chiffon: uma marca feita com amor e algodão 100% biológico

A paixão pela moda e o nascimento do filho deram o mote para que Rita de La Bletière lançasse a Le Petit Chiffon, uma marca de algodão 100% biológico, com alguns pormenores que marcam a diferença, nomeadamente os «bodies» que se ajustam ao tamanho de cada bebé.

Texto de Patrícia Tadeia

«Sou mãe e sou sonhadora.» As palavras são de Rita. Rita acreditou que era possível e o sonho tornou-se realidade. Depois de ter trabalhado como jornalista – o emprego com que sonhou – achou que estava na hora de mudar. Embarcou numa aventura numa empresa de catering e eventos. Mas foi a gravidez que lhe mudou a vida.

«A marca nasce durante a minha licença de maternidade, altura em que senti que tinha que mudar o rumo da minha vida. Naquela altura percebi que não queria ver o meu filho crescer ‘à distância’, que queria estar bem perto e que, sobretudo, durante a primeira infância, primeiros três anos queria ser eu a ‘educá-lo’ sem ter que o pôr numa creche», começa por contar Rita.

E foi essa a força motivadora para o nascimento de um negócio e de uma marca que se destaca pela diferença dos materiais, pelo conforto e pela simplicidade. Mas nem tudo foi fácil. «No início, a principal dificuldade foi encontrar as pessoas certas para trabalhar, que entendessem e se disponibilizassem para abraçar comigo este conceito. Há três anos quando comecei, a questão do orgânico era um bicho-de-sete-cabeças para as fábricas, não estavam habituadas a pedidos de utilização desses materiais por isso não foi fácil aliás, só acertei nos meus fornecedores há pouco tempo e, mesmo assim, há muitas coisas que gostaria de fazer que acabam por ficar em papel, porque não é fácil encontrar os materiais orgânicos, pelo menos nas quantidades que neste momento me são possíveis fazer», explica ao DN Ócio.

«Há três anos quando comecei, a questão do orgânico era um bicho-de-sete-cabeças para as fábricas»

Apesar de o público aceitar bem a marca, «ainda optava pelo mais barato, exceto aqueles que já tinham esta preocupação», de usar materiais orgânicos, conta. «Depois de fazer o primeiro mercado, ou seja, o primeiro contacto em que as pessoas tiveram a oportunidade de sentir os materiais, tudo mudou e ganhei clientes fieis que não dispensam os meus interiores, nomeadamente porque têm muito mais durabilidade do que uma peça feita num algodão alterado, ou seja gastam mais, mas também duram mais», recorda, adiantando que hoje em dia já não pensa em dificuldades, mas sim em expandir o conceito ainda mais: «Chegar a mais clientes em Portugal e no resto do mundo. E isso exige um trabalho constante.»

Para Rita, a Le Petit Chiffon é uma marca «feita com amor e por amor». «É uma marca a pensar não só nos mais pequenos mas também nos pais, quando estou a desenhar uma peça tento sempre que tenha características que garantam o conforto dos bebés e das crianças, mas também que facilite a vida a quem trata deles, no fundo tento sempre pôr-me dos dois lados», adianta ainda.

«Quando estou a desenhar uma peça tento sempre que tenha características que garantam o conforto dos bebés e das crianças, mas também que facilite a vida a quem trata deles.»

E claro, é também «uma marca sustentável e que aposta numa mão de obra justa»: «Já tive várias propostas de fábricas lá fora, a preços realmente aliciantes, mas sempre optei por produzir no meu país, onde me seja possível conhecer as pessoas, as condições e ter a certeza que não estão a explorar adultos e crianças.

«Cada peça é pensada ao pormenor», refere ainda. E uma das peças que destaca é um body com uma parte de cima e três partes de baixo, para que, quando o bebé se suja, não seja preciso despi-lo mas só mudar a parte da fralda. «Foi uma peça que deu bastante trabalho em termos de fábrica, porque era uma novidade, teve que ser muito bem pensada, fazer vários testes para não implicar com o conforto, mas consegui e os clientes adoram», diz.

«Quando um cliente faz uma compra sente-se único e especial, cada encomenda leva um cartão escrito por mim direcionado à pessoa em questão, os clientes procuram-me para eu os aconselhar, acho que isso hoje em dia é muito raro, é um luxo», conclui.