Jony Ive: o designer da Apple e um dos mais influentes do mundo

Nasceu em Chingford, uma cidade no nordeste de Londres, a 27 de fevereiro de 1967. Discreto e humilde, Jonathan (Jony) Paul Ive, o (re) conhecido diretor de designer da gigante empresa tecnológica Apple, cedo mostrou a sua apetência para o desenho. E nem a sua dislexia o impediu de se tornar um dos homens mais geniais dos nossos tempos.

Texto Sandra Martins Pereira

Filho de um ourives e de uma psicoterapeuta, Michael John Ive e Pamela Mary Ive, aquele que viria a ser o “braço direito” de Steven Jobs – aquando do retorno deste à Apple em 1997 – tem no currículo produtos como o iMac, o primeiro iPod e o iPad, entre outros. É muitas vezes comparado com Dieter Rams, o designer alemão, que durante os anos de 1960 deu vida a muitos dos aparelhos domésticos da Braun.

Foi através da influência do seu pai, Michael John Ive, que trabalhou como professor em Essex, especializando-se nas áreas de tecnologia e design. Michael acabaria por incentivar Jony a partilhar consigo a sua oficina durante as férias de inverno, desde que este desenhasse à mão livre os objetos que ambos criassem. Ive chegou a confessar a Walter Isaacson, o biógrafo de Steve Jobs, que sempre compreendera «a beleza das coisas feitas à mão».

Andou em escolas como a Walton High School, no subúrbio de Stafford, onde acabaria por terminar o curso em 1985 com pontuação notável e só alcançada por muito poucos. Aos 16 anos o seu talento já se evidenciava, chamando mesmo a atenção do diretor executivo do Roberts Weaver Group – um dos maiores escritórios de design de Londres – Philip J. Gray, que acabaria por aconselhá-lo a ingressar no Newcastle Polytechnic (atual Northumbria University), no norte da Inglaterra, onde mais uma vez viria a destacar-se, com a atribuição de dois diplomas pela Royal Society of Arts.

Após a graduação começa a trabalhar na Tangerine Design, uma agência de design de startups de Londres, situada em Hoxton Square, onde pela primeira vez viria a tomar contacto com a Apple durante uma consultoria ao primeiro PowerBook, mas não permanece durante muito tempo na empresa. Em 1992 é contratado pela Apple e muda-se de armas e bagagens para a Califórnia.

“Descoberto” por Steve Jobs

É em 1997 – quando Steve Jobs regressa à Apple, que acaba por descobrir o jovem designer britânico “atolado” em vários projetos e que viria a reverter o declínio da empresa, tornando-a numa das mais poderosas e influentes do mundo.

Produtos como o translúcido iMac trouxeram à ribalta a Apple. Seguiram-se o iPod, o iPhone, o iPad e o MacBook Air, criando um “clube” de seguidores da marca em todo o mundo. Feitos que colocaram Jon Ive entre as 100 pessoas mais influentes do mundo na prestigiada revista “Time” e a condecoração com o título de “Sir” pela Rainha de Inglaterra, pelos serviços prestados ao design e ao empreendedorismo.

Ive conta com mais de 5 mil patentes e continua a somar prémios, entre eles o Designer do Ano do London Design Museum (2003), o Prémio Presidente de Design e Direção de Arte (D&AD em 2005), o Prémio de Design de Produto do Cooper-Hewitt National Design Museum (2007) e o seu trabalho está presente nas coleções permanentes do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque e no Centro Georges Pompidou em Paris, entre outros.

Depois da morte de Steve Jobs (em 2011) algumas vozes se questionaram sobre a sua continuidade da Apple, mas Jony Ive continua a ser o espírito criativo da empresa, tendo a seu cargo todo o design da tecnológica norte-americana, desde a aparência do hardware, passando pela interface dos utilizadores, embalagem, grandes projetos arquitetónicos como a nova sede da Apple em Cupertino e as lojas da marca, bem como peças mais recentes como o Apple Watch e o HomePod.

Uma coisa é certa, tanto para o designer britânico, e tal como era para Steve Jobs, o que menos importa é a aparência, importante mesmo é como os produtos funcionam, de forma intuitiva, para que o utilizador rapidamente descubra o seu funcionamento. Ive já o mencionou em diversas entrevistas que os designers devem trabalhar no «backstage» e o seu principal objetivo «é que as pessoas pensem que o objeto não tem design».

Casado com a escritora e historiadora britânica Heather Pegg desde agosto de 1987, de quem teve os gémeoS. Ive foi considerado por Jobs como o seu «parceiro espiritual» na Apple.

Em entrevista à revista“Hodinkee”, especializada em relogiaria, a propósito do Apple Watch, Jonathan Ive relembra a sua origem e confessa-se grande apreciador do modelo Patek Philippe Nautilus.

Entretanto, um outro produto chegou ao portefólio da Apple, no verão de 2017 pelas mãos de Jon Ive: o HomePod e a que se juntou o iPhone X, que a marca californiana indica ser o smartphone para a próxima década e que, em pouco, tempo já levou muitas outras marcas concorrentes a mimetizar o desenho de Ive. Entretanto os media especializados não se cuibem de lançar novos projetos que poderiam, ou poderão, ser lançados pela Apple com o desenho de Ive. Desde televisores a automóveis elétricos. Certo é que a grande maioria dos produtos desenhados pela equipa de Jon Ive mudam a forma de nos relacionarmos com os objetos.