Francisca Van Zeller: «o luxo é ter tempo e espaço»

O Ócio de… Francisca Van Zeller

 

Francisca cresceu entre vinhas e desde 2013 é brand manager e gestora de mercados da Quinta Vale D. Maria.
Carrega com leveza e graciosidade o apelido Van Zeller – ligado aos vinhos do Douro desde o século XVII. Cresceu no meio de vinhas e existe uma com o seu nome – um presente do pai Cristiano. Hoje está também envolvida em projetos de consultoria na área de vinhos, gastronomia e turismo do Douro, como o novo Museu do Vinho do Porto. Fomos conhecer melhor os seus gostos.

O livro que estou a ler…
Margaret Atwood, «A HandMaid’s Tale».

A melhor viagem que já fiz e a que gostava de fazer…
…talvez ainda seja a que fiz pela Índia, quando tinha 20 anos e passei quase dois meses de mochila às costas. Fui-me desprendendo de tantas coisas e aprendi a estar agradecida por tudo o que a vida me dá. A que quero fazer é voltar ao sudoeste asiático, ao Vietname em particular, e na companhia do meu namorado.

O objeto do qual não me consigo afastar…
…acho que nenhum. O último objeto pelo qual senti uma emoção positiva foi a minha primeira prancha de surf.

Se pudesse colecionava…
…vou colecionando pouco a pouco. Penso que está relacionado com a felicidade e a história a que me remetem as peças: vinho, arte, livros e voltam-me a surgir as pranchas de surf, que nunca tinha pensado que gostaria de colecionar. E se pudesse, continuava a coleção de paliteiros do meu avô.

O melhor presente que já recebi?
Uma vinha, que o meu pai plantou no ano em que fiz 18 anos e chamou «Vinha da Francisca». Hoje em dia dá origem a um vinho, e por isso já se multiplicou em tantos presentes que já não sei contabilizar.

O último restaurante que me impressionou?
Aqueles que frequentei na última vez em que estive Nova Iorque: Frank’s, Milo’s e Gramercy Tavern.

O último vinho que realmente gostei?
Um vinho do porto que temos ainda em pipa que data de 1870. Depois de se provar um vinho destes percebe-se que o tempo é mesmo uma medida incerta. Às vezes, pára.

Se não trabalhasse na minha área seria…
…algo relacionado com a comunicação e que me ligasse a outras pessoas, a diferentes culturas, à natureza e ao mundo em geral. Acho que, no fundo, estou na área certa para mim.

Uma cidade ou um local onde gostava de viver?
Por contraste, adorava viver numa cidade que fosse uma selva urbana, cheia de novas oportunidades, pessoas de todo o mundo, ideias diferentes, como Nova Iorque ou Hong Kong. Ou ir ao encontro do que já vivo, uma cidade perto de uma região vínica e com uma relação com o vinho e o mar: São Francisco ou Cidade do Cabo.

Para mim, férias são…
…a companhia certa, não ter horários, andar a pé descalça, poder apanhar umas ondas, e estar sem ligação wi-fi.

O que é luxo, para mim?
Tempo e espaço.