Ronaldo pode atingir novo recorde no local onde marcou o primeiro golo como profissional

Cristiano Ronaldo (Ivan Del Val/Global Imagens)

Cristiano Ronaldo pode atingir nesta sexta-feira, diante do Luxemburgo, mais um número redondo na carreira, poucos metros ao lado do local onde marcou o primeiro golo como profissional, no Estádio José Alvalade.

David Pereira

Cristiano Ronaldo pode chegar nesta sexta-feira aos 700 golos na carreira, se marcar dois ou mais golos na receção de Portugal ao Luxemburgo, no Estádio José Alvalade, em partida a contar para a fase de qualificação do Campeonato da Europa de 2020. Embora outras contas apontem para um registo superior, devido aos golos apontados ao serviço das seleções de sub-20 (um), sub-21 (três) e olímpica (dois), para esta contabilidade entram apenas os remates certeiros pela seleção principal e pelos clubes a nível sénior.

Foi precisamente em Alvalade, mas no antigo estádio do Sporting, que o avançado madeirense faturou pela primeira vez como futebolista profissional, numa vitória por 3-0 dos leões sobre o Moreirense para a I Liga, a 7 de outubro de 2002. 17 anos e quatro dias depois, pode atingir mais um número redondo na carreira uns metros ao lado do local onde festejou pela primeira vez.

Veja aqui o primeiro golo de Ronaldo, em 2002, pelo Sporting.

Pela seleção nacional, Ronaldo leva 93 golos (em 160 jogos) e está cada vez mais próximo do melhor marcador de sempre ao serviço de seleções, Ali Daei, autor de 109 remates certeiros ao serviço do Irão. O primeiro golo de Ronaldo com a camisola da seleção nacional aconteceu em junho de 2004, no jogo inaugural do torneio, em que Portugal foi derrotado (1-2) pela Grécia.

Veja aqui o primeiro golo de Ronaldo, em 2004, pela seleção nacional.

Curiosamente, CR7 já marcou quase tantos em 45 internacionalizações em cerca de cinco anos de Fernando Santos como selecionador (43 golos) como nos primeiros 11 anos e 115 jogos de quinas ao peito (50). Em média, o jogador da Juventus subiu de 0,43 golos por jogo para 0,96 sob o comando de Santos. Ou seja, com Ronaldo em campo e o engenheiro no banco, quase que se pode dizer que Portugal começa os encontros a ganhar por 1-0.

Basta repetir o que fez em 22 jogos

Para Cristiano Ronaldo chegar nesta sexta-feira aos 700 golos na carreira, basta repetir o que fez em 22 jogos ao serviço da seleção nacional: marcar mais do que um golo. No total soma 14 bis (Rússia em 2004, Arábia Saudita e Azerbaijão em 2006, Bélgica em 2007, Chipre e Bósnia em 2011, Holanda em 2012, Camarões em 2014, Estónia, Hungria e Letónia em 2016, Hungria e Letónia em 2017 e Egito em 2018), seis hattricks (Irlanda do Norte e Suécia em 2013, Arménia em 2015, Ilhas Faroé em 2017, Espanha em 2018 e Suíça em 2019) e dois póqueres (Andorra em 2016 e Lituânia em 2019).

Nesses 22 jogos de boa memória, 12 foram com Fernando Santos como selecionador. Scolari esteve nos primeiros quatro bis e Paulo Bento nos dois primeiros hattricks e também em quatro bis. Com Carlos Queiroz, Ronaldo nunca marcou mais do que um golo por jogo.

Embora o histórico de confrontos com o Luxemburgo seja bastante favorável para Portugal e Ronaldo já tenha defrontado a seleção do grã-ducado por seis vezes, não foi além de três remates certeiros. No entanto, as maiores vítimas do madeirense ao serviço da equipa das quinas não estão assim tão longe, todas com cinco golos encaixados: Andorra, Arménia, Letónia e Suécia. Pelo meio ainda há Estónia, Holanda, Hungria, Ilhas Faroé e Lituânia, todas com quatro.

Maior fatia é do Real Madrid

A maior fatia deste bolo de 698 golos pertence à passagem de nove anos pelo Real Madrid (2009 a 2018), período em que CR7 faturou por 450 vezes (em 438 jogos) pelo emblema da capital espanhola, tornando-se o melhor marcador do clube em todas as competições, na liga espanhola (311 golos) e na Liga dos Campeões (105).

Antes, foi ganhando jeito no Sporting, onde marcou por cinco vezes (em 31 jogos) na temporada 2002-2003, a primeira como profissional, e sobretudo no Manchester United, clube pelo qual apontou 118 golos (em 292 jogos) entre 2003 e 2009. E depois de ter marcado uma era no Real Madrid, vai continuando a exibir a veia goleadora na Juventus, onde está desde o verão do ano passado: 32 golos em 51 jogos.

O apetite de Ronaldo pelos golos já lhe valeu quatro Botas de Ouro, troféu atribuído ao melhor marcador dos campeonatos europeus e que o capitão da seleção nacional arrecadou em 2007-2008, 2010-2011, 2013-2014 e 2014-2015.

A época mais concretizadora de Ronaldo foi em 2014-2015, quando terminou a temporada com um total de 69 golos marcados – 60 pelo Real Madrid, clube que representava na altura, e mais nove pela seleção nacional.

26 golos de vantagem sobre Messi

Até no número de golos ao longo da carreira Cristiano Ronaldo e Lionel Messi andam taco a taco. O internacional argentino, que é dois anos mais novo, leva 672 – 604 pelo Barcelona e 68 pela Argentina -, ou seja, está a 26 do português. Entre os jogadores no ativo, quem mais se aproxima dos dois rivais é Zlatan Ibrahimovic, com 535. A título de exemplo, Luis Suárez soma 463, David Villa 437, Robert Lewandowski 428 e Sergio Agüero 406.

Em relação à lista de melhores marcadores de todos os tempos, os registos são pouco rigorosos. A Pelé tanto se podem encontrar informações que lhe creditam 767 golos como noutras lhe dão 1281. E até há quem garanta que outro brasileiro, Arthur Friedenreich, marcou mais entre 1909 e 1935: 1329 golos. Também no topo das várias listas aparece Romário, que terá marcado entre 743 e 772 jogos, e o checoslovaco Josef Bican, a quem a Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) dá a liderança da tabela de melhores marcadores, com pelo menos 805 golos. Relativamente a Eusébio, as estatísticas também divergem: a IFFHS dá-lhe 552 golos, mas há registos que apontam para 621 e 623.

Há cerca de um mês, numa entrevista a Piers Morgan que correu o mundo devido aos célebres hambúrgueres que lhe eram oferecidos por algumas funcionárias do McDonald’s, Cristiano Ronaldo elegeu o golo mais bonito da sua carreira. E, sem surpresa, revelou que foi aquele que apontou à Juventus, num magnífico pontapé de bicicleta, nos quartos-de-final da Liga dos Campeões de 2017, quando ainda vestia as cores do Real Madrid.

“É o meu golo favorito. De longe. Tecnicamente é complicado fazer aquilo. Tentei marcar este golo durante muitos anos. Tenho quase 700 golos e nunca tinha marcado um assim. Penso que nunca vi um golo de bicicleta assim. O modo como saltei, contra o Buffon, contra a Juventus nos quartos-de-final da Champions. Provavelmente um dos melhores golos da história”, disse na ocasião.