Conheça o perfil de Caroline de Maigret, a mais francesa entre as francesas

«Nunca mostrar as gengivas enquanto se ri» ou escolher «uma coisa que toda a gente gosta e detestá-la» são algumas das dicas que Caroline de Maigret dá logo no início do livro Como ser uma Parisiense em qualquer lugar do mundo, que escreveu com três amigas Sophie Mas, Audrey Diwan e Anne Berest, em 2014, e que foi um sucesso mundial instantâneo, estando hoje publicado em 34 línguas e muitos mais países.

É certo que o livro não é um guia para levar à letra e é óbvio que o texto escrito com humor inspira-se na personalidade destas quatro mulheres de que Caroline de Maigret se destaca. Ela é o epítome da parisiense e encerra em si todas as caraterísticas mitológicas da mulher de Paris: é magra sem ir ao ginásio, naturalmente elegante nos gestos, inteligente, independente, irreverente, descontraída e algo mordaz. É daquelas pessoas raras que sabe estar – e estar bem – em todas as situações.

O ano de 2014 foi o ano da confirmação mundial do talento. A par da publicação do livro, tornou-se cara da Lâncome, marca de cosmética com que colabora também no desenvolvimento de linhas de maquilhagem, e a parceria foi anunciada pela casa francesa que afirmou que Caroline de Maigret, à época com 39 anos, seria a melhor expressão da mulher francesa.

Caroline de Maigret na campanha da Lancôme em 2014

A Chanel chamou-a para embaixadora e porta-voz da marca em 2016 – o que inclui também a manutenção de um blogue de estilo, o CdMDiary – numa altura em que a relação com a griffe de moda durava já décadas. Nos últimos anos, Maigret tinha marcado presença, diversas vezes, na fila da frente dos desfiles criados por Karl Laggerfeld. Já em março deste ano, Maigret foi escolhida para dar a cara na campanha publicitária para os relógios Boy-Friend. Além de posar para as fotografias, Caroline interpretou três vídeos com um hilariante jogo de palavras mostrando mais um dos seus múltiplos talentos: a atuação.

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Back to the 90s

Desde que nasceu, Maigret tinha traçada uma vida estável e bem relacionada. O pai de Caroline é o influente político Bertrand de Maigret, um dos arquitetos do euro, que viajava frequentemente para a construção da moeda única. A mãe, Isabelle Poniatowski, fora campeã de natação e ostenta como o pai diversos títulos nobiliárquicos. Fugiu com o curso de Literatura Francesa por acabar e rumou aos Estados Unidos, já agenciada, à procura de anonimato e da imersão numa comunidade mais artística. Aos 19 anos, Caroline de Maigret estabelece-se em Nova Iorque.

Foi só em 1998 que Karl Laggerfeld olhou para Caroline de Maigret e decidiu convidá-la para desfilar na apresentação da coleção primavera-verão de pronto a vestir da Chanel. A jovem de 23 anos entrava, assim, pela porta grande para o mundo da moda. Depois desse, desfile seria chamada para outros de marcas de igual importância como Louis Vuitton ou Alexander McQueen e faria capas de revistas de moda e campanhas publicitárias com os maiores fotógrafos da indústria: Mario Testino, Peter Lindbergh, Steven Meisel e Patrick Demarchelier.

Maigret regressa a Paris em 2002, deixa de desfilar e funda, em 2006, uma editora de música, a Bonus Track Records, com Yarol Poupaud que é também seu eterno namorado e com quem tem um filho. O trabalho de ambos é premiado em vários festivais de música e de cinema.

O destino era mesmo Laggerfeld

A cobertura da Semana de Moda de Paris que a revista francesa Jalouse organizou, em 2011, incluía entrevistas de rádio conduzidas por Caroline de Maigret. Ela tinha sido chamada pela revista para entrevistar as maiores figuras do evento, entre elas Karl Laggerfeld. «O pessoal da Chanel dizia-me que só tinha 15 minutos para fazer a entrevista», contou Maigret ao New York Times, em 2015. «Mas ele acabou por ficar 45 minutos.»

Dias depois Caroline de Maigret recebia um telefonema da equipa do criador, pedindo-lhe que fosse até Saint Tropez para desfilar na coleção Cruise. Aos 36 anos, recomeçava assim a carreira de manequim daquela que é hoje, aos 43 anos, considerada a mais francesa das mulheres francesas.