A “portuguesa” de Montmartre que cria joias usadas pelas estrelas de Hollywood

Penélope Cruz, Gwyneth Paltrow, Natalie Portman para além de serem atrizes famosas, também têm em comum o facto de usarem joias da Vanrycke. Mas há mais nomes, principalmente francófonos (Marion Cotillard ou Audrey Tautou) para esta marca parisiense com toque português ou não fosse Lise Ferreira Vanrycke luso descendente. E que tem, desde 2016, uma peça sua no Museu de Artes Decorativas de Paris.

Texto de Filipe Gil

Filha de pai algarvia e mãe natural de Aveiro, Lise Ferreira nasceu (1971) e cresceu em Paris, no típico bairro de Montmartre. Talvez por isso, e porque em casa o ambiente girava em volta ligado às artes (pai fotógrafo e mãe artista), levou-a escolher a faculdade de artes plásticas com o intuito de ser “pintora, fotografa, ou mesmo professora de artes”, diz à DN Ócio.

Foi durante a faculdade que numa disciplina percebeu que o seu caminho ia cruzar-se com as joias. A cadeira de bijuteria despertou-lhe o interesse que precisava para a criar as suas peças e daí a começar a vender em feiras ou em mostras com outros criadores foi um pequeno passo.

A atriz Marion Cotillard com peças Vanrycke Paris.

Numa dessas mostras pediram-lhe para expor a um salão de joias, e quase ao mesmo tempo, recebeu uma encomenda do Japão. Foi nessa altura que percebeu que a sua vida profissional passaria por desenhar joias. “Foi simples e muito orgânico”, conta a sorrir.

Em 2016 viu uma das suas peças, a pulseira Sytloide, integrar a exposição permanente do Museu de Artes Decorativas de Paris.

Desde então Lise tem ganho espaço no mundo das joias, usa o nome de família do marido (Vanrycke) e a partir de Paris tem chegado a muitos mercados. Em 2016 viu uma das suas peças, a pulseira Sytloide (que demorou três anos a desenvolver), integrar a exposição permanente do Museu de Artes Decorativas de Paris. Em Portugal, esteve recentemente para a apresentação da sua coleção (à venda nas lojas da Elements Contemporary Jewllery).

D.R.

Questionada sobre o seu processo criativo, Lise adiantou que tem duas formas de trabalhar: “pego na coleção que tenho e identifico peças que faltam para as criar. No meio desses momentos faço algo mais criativo. E como estou sempre a ter ideias, que aponto nos meus Moleskine, tenho uma reserva de projetos que nunca avancei mas que posso pegar neles a qualquer hora. E inspiro-me muito naquilo que vejo na rua”.

Uma da suas joias mais conhecidas é o brinco Coachella, inspirado no festival de música do mesmo nome. “Comecei a pensar num brinco só para um lado e decidi criar a peça”, reforça que são ideias estruturadas e não obras de acaso.

Na conversa com a DN Ócio, diz não ser uma criadora intelectual. E que gosta de coisas simples, bonitas sem ideias pré concebidas. “Gosto de ver as raparigas na rua, como se vestem e sobretudo na sua atitude”. É sobretudo nisso que pensa. “Não crio joias para soirées e galas, mas sim para o dia-a-dia. Para a mulher que de dia calça umas sapatilhas e a seguir troca por uns uns sapatos de salto, sem precisar de mudar de joia”.

Sendo lusodescente é inevitável a pergunta sobre as diferenças entre as mulheres portuguesas e francesas, ou melhor, parisienses. Lise Vanrycke diz que não encontrar muitas diferenças. “Quando venho a Lisboa vejo muitas parecenças com as mulheres de Paris, são ambas muito cosmopolitas.”

Lise Ferreira Vanrycke (à direita) na apresentação da sua coleção em Lisboa.

 


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