Viajar aos anos 1920

Num mero exercício imaginativo podemos pensar o que seria se, por alguma possibilidade digna de filme de ficção científica, conseguíssemos visitar a década de 1920. Talvez a primeira estranheza fosse a cor. Curiosamente ou não, o imaginário daquela época faz-se a preto e branco, influenciados que estamos pelas fotos e cinema da época.

Depois talvez fosse interessante perceber como estava a reagir a sociedade ao pós-guerra sem saber, como nós sabemos, que dali a uns quantos anos haveria outra ainda mais mortífera.

Seria curioso observar como as mulheres começavam, finalmente, a ganhar alguns direitos. Ganharíamos consciência de que, apesar dos avanços dessa época, muita coisa está por fazer e conquistar… cem anos depois.

Seria fascinante, e ao mesmo tempo aterrador, ver como algumas personagens ganhavam poder naqueles dias e que nos anos seguintes marcariam o mundo para sempre, encabeçando as ditaduras com os resultados que todos conhecem.

Pelo que sabemos, os anos 1920 foram inebriantes, criativos, tumultuosos, “loucos” – como assim ficaram conhecidos. Há quem diga que o passado, por já ter acontecido, é sempre mais confortável do que o desconhecimento do futuro. Tendemos a melhorar as visões que temos do que já aconteceu, mas será que a loucura desses anos 20 foi fácil de viver no dia-a-dia?

Curiosamente ou não, há algumas semelhanças com os 1920 e os 2020 que agora começam. Causas muito importantes, como as alterações climáticas e a crise dos refugiados. Os populistas que querem o poder com discursos de mesa de café, e aqueles que já mandam e isolam os seus países.

Será que aprenderíamos alguma coisa com essa viagem temporal. Será que não basta aprendermos o que nos dizem os jornais e os livros de história para evitar uma nova grande confusão? Os próximos dez anos darão a resposta. Espero que bem longe do que previa Fritz Lang no seu Metropolis.