Onde está Marcelo?

A tarde estava tranquila. Um grupo de gente que se entusiasmara a falar sobre as Aldeias do Xisto durante a manhã no Museu de Arte Popular, em Lisboa, aconchegara o estômago no restaurante do lado, e preparava-se para as conferências da tarde.

Regressavam ao museu e no átrio ecoavam vozes, trocavam-se apertos de mão, cartões-de-visita, conversas regadas com entusiasmo. E eis que o local é atravessado por um foguete. Uma seta. E quando os olhares conseguem fixar-se dizem, mais ou
menos baixinho, “é o Marcelo!”.

Marcelo Rebelo de Sousa foi acolhido por quem ali estava. Conhecia alguns, passou a conhecer outros. Sem mediação, tu-cá-tu-lá.

Logo as funcionárias do museu, das poucas que sabiam da presença do Presidente da República na sala da Exposição Agricultura Lusitana, tomaram posições para uma selfie – enquanto todos os outros se recompunham daquela presença não agendada (de tal maneira que nem o presidente da ADXTUR, que organizava o seminário Visões para o Futuro das Aldeias do Xisto, marcaria presença em tempo útil para apertar a mão ao Presidente da República).

Marcelo Rebelo de Sousa foi acolhido por quem ali estava. Conhecia alguns, passou a conhecer outros. Sem mediação, tu-cá-tu-lá. Surpreendeu os participantes no evento, ligado à exposição que queria mesmo visitar antes que terminasse. E foi surpreendido pelo seminário. “Feliz coincidência”, disse.

Não tardaria a subir ao palco e a falar de improviso. Contou-nos que tinha naquela tarde «algum tempo livre» e que nesses raros momentos se dedica a fazer “incursões surpresa”. Dali seguiria para mais duas – que ainda não partilhara com a segurança.

Marcelo é uma espécie de Wally, nunca se sabe onde está. Mas é o Presidente da República e não vive em livros com ilustrações garridas. E sim, acontece em Portugal. Adélia Borges,
brasileira, subiu ao palco já depois da saída do presidente-relâmpago, e dizia à plateia: “Nem sabem a sorte que têm, um país onde o presidente se interessa pela cultura…” Terminaria a intervenção sobre o projeto das Aldeias do Xisto, um fora do mundo tão no centro do mundo, socorrendo-se de uma citação alheia: “O centro do mundo está em todo o lugar”.