O monólito encarnado

Os Estados Unidos da América são qualquer coisa! Apesar de metade do mundo viver incrédulo com a existência de um presidente como Trump, a América continua a fascinar.

Tal como a exposição que se fez por estes estes dias de abril no deserto da Califórnia. Sim, no deserto. Por lá, fora do mundo mais civilizado (?) do dia-a-dia, a exposição Desert X apresentou obras de autores que mostraram as respetivas visões sobre aquele local inóspito.

Espalhado por várias partes do vale de Coachela, no sul do estado californiano – local conhecido por ter um dos festivais de música que mais repercussão tem nas redes socais a nível global –, esta bienal serviu, de acordo com os organizadores, para colocar a atenção da comunidade para o meio ambiente do vale. E, claro, para criar arte.

Performances, música, instalações, decorreram em vários lugares do vale até 21 de abril.

A escultura pretende dar a ideia de que algo inusitado aconteceu na paisagem, e que parte dela foi apagada, como se fosse uma composição de Photoshop.

No meio de tantas obras de arte houve uma que se destacou e que fez as delícias dos Instragramers de todo o mundo. “Spectre” é o nome de um monólito de um encarnado hipnotizante, da autoria de artista Sterling Ruby.

A escultura pretendeu dar a ideia de que algo inusitado aconteceu na paisagem, e que parte dela foi apagada, como se fosse uma composição de Photoshop. Nas redes sociais há milhares de publicações sobre o monólito encarnado – em especial no Instagram. Sendo que a grande maioria são imagens copiadas de outras contas, ou seja copy paste de quem realmente lá esteve. Um sucesso.

Tal como está a acontecer com a gastronomia, onde alguns chefs já sentem a pressão de pensar os pratos tendo em conta as redes sociais, será que vamos assistir ao mesmo na arte contemporânea? Será que há artistas que já criam as suas obras com base na repercussão das mesmas. E isso terá uma influência positiva ou está a adulterar a forma como a arte nasce?