Luxo High Tech?

O que é o luxo nos dias que correm? Já parou para pensar? É aquele bólide raro que atinge velocidades acima dos 350 km/h ou aquelas férias num local remoto alienado do mundo? Mais do que nunca, o luxo é hoje algo com premissas bem definidas, mas muito pessoal.

O que para mim pode ser luxo, para si, leitor, pode não ser. Claro que todos temos uma ideia generalizada do que é. Mas mudam-se os tempos e mudam-se as vontades e o conceito está definitivamente a mudar. Antes era só aquilo que era extremamente bem feito, com qualidade, muito caro, que brilhava e era ostensivo e que estava ao alcance de muito, muito poucos. Hoje já não.

Vamos por partes. A não ser num ou outro setor – como o automóvel –, a tecnologia interessa pouco ao luxo, certo?

Com a vida atual que temos na sociedade ocidental, o tempo é o verdadeiro luxo. Ter tempo para fazer, para experienciar (como indiquei na crónica da edição anterior) e para escolher. Curiosamente, ou não, apesar de todas as mudanças, há uma que o luxo não está a conseguir resolver: a tecnologia. E dá que pensar. Vamos por partes. A não ser num ou outro setor – como o automóvel –, a tecnologia interessa pouco ao luxo, certo? E o que interessa à tecnologia? Lançar novidades regularmente, criar apetite junto dos cidadãos, ir baixando preços, vender para as massas e repetir a fórmula até exaustão. O que é precisamente o contrário do que é o luxo, sobretudo quando cada vez mais (e bem) se aposta no artesanal no dito craftsmanship, no que é feito com tempo e com a mão humana.

(Aproveito e convido para passarem pelo site ocio.dn.pt e lerem o que vimos em Veneza na Homo Faber).

Apesar da falta de interesse, será que o luxo consegue viver alienado da tecnologia?

Apesar da falta de interesse, será que o luxo consegue viver alienado da tecnologia?Será que, por exemplo, o caminho da indústria dos relógios são os Smartwatches que fazem e medem tudo (até já atendem telefonemas). E na indústria hoteleira? Que transformação trará a tecnologia? Vamos passar a ter hotéis com atendimento feito por robôs? Não me parece, antes pelo contrário, o fator humano (e com história) é fulcral.

Mas vai ser muito interessante perceber como a tecnologia irá abordar o segmento mais premium e, ao contrário, como vão as pessoas reagir ao que o luxo high tech lhe vai tentar oferecer.