Será que o luxo tem medo da tecnologia?

A nossa vida está rodeada de tecnologia em smartphones, computadores, automóveis, etc. É tão omnipresente que já nem fazemos caso do seu uso – a não ser quando algo avaria

E, pela lógica, tudo o que seja tecnologia mais recente é tangível apenas a alguns. Talvez o caso dos smartphones seja dos poucos segmentos mais acessível (ver o caso do iPhone X). Contudo, dou por mim a refletir se o luxo – e das coisas boas da vida, como lhe preferimos chamar na DN Ócio – tem uma boa relação com a tecnologia.

Diria que sim. Mas com dúvidas. O luxo é feito da qualidade extrema dos produtos e serviços. Feito de forma única e pessoal. Ora a tecnologia tende a ser mais automatizada, mais impessoal (embora a qualidade tenha de ser intrínseca).

Há dias falava com um especialista na matéria que mostrava a sua preocupação em relação a esta problemática: como vão as marcas de relógios de gama alta, que como sabe, ainda necessitam de cuidado humano para funcionarem, manter a sua atratividade?

Se na área automóvel é algo bem «resolvido», noutras, como nos relógios, já não é assim. O mercado vive cada vez mais inundado de smart watches, alguns com preços elevados – e que são centros de big data pessoais, ali mesmo no pulso de cada um.

Há dias falava com um especialista na matéria que mostrava a sua preocupação em relação a esta problemática: como vão as marcas de relógios de gama alta, que como sabe, ainda necessitam de cuidado humano para funcionarem, manter a sua atratividade?

Como vão manter o seu elan quando os públicos mais jovens – os tais Millennials, que certamente já ouvi falar – começarem a preferir coisas de grande qualidade mais práticas?

Ou os Millennials ao envelhecerem ganham o gosto por coisas realmente bem executadas, originais e feitas com tempo – e que necessitam atenção – e se dispõem a investir em objetos de milhares de euros. Ou alguns setores do luxo estão em maus lençóis.

Não é fácil conjugar luxo com tecnologia. A reflexão tem de ser feita, sem medos.