O Algarve

A possibilidade de o leitor estar a ler esta crónica no Algarve é grande. É o local onde a maioria do país está a descansar por estes dias. E tanto que mudou o Algarve desde os tempos de Sophia de Mello Breyner, como nos conta o Diário de Notícias. Mudou e parece que está a mudar novamente. E ainda bem.

Pela quantidade de turistas, muitos deles espanhóis, com que me cruzo na zona do sotavento algarvio acredito que os move a procura do «genuíno e natural», da simpatia do serviço e da gastronomia únicas da região. Afinal, Espanha fica a escassos quilómetros, porque preferem os nossos vizinhos passara a fronteira quando também têm quilómetros de praias?

Tudo produtos da zona, frescos servidos com simpatia e alguma rapidez. Sim, o Algarve está a mudar para melhor.

Sim, parece-me que o Algarve começa a singrar pela qualidade quer dos seus areais quer dos seus produtos e serviços. Aos poucos, é certo.

Lembrei-me de escrever sobre o Algarve depois de ter lido o artigo que acima partilhei e ter jantado num restaurante numa rua com o nome Sophia de Mello Breyner, em Cacela Velha. Um restaurante simples, concorrido, com uma oferta de grande qualidade na ementa. Tudo produtos da zona, frescos servidos com simpatia e rapidez. Sim, o Algarve está a mudar para melhor.

Mas não só neste tipo de oferta (mais acessível para a maioria das bolsas), mas também nos serviços de topo. São já dez os restaurantes com Estrela Michelin, como o Vila Joya (que tem 2 estrelas). Contamos a história deste local no n.º 2 da DN Ócio, numa reportagem assinada pela jornalista Marina Almeida – e que está agora disponível nas bancas e quiosques de todo o país.

E há o perigo de tornar o Algarve igual do Barlavento ao Sotavento mimetizando sucessos locais por várias zonas que nada tem a ver com outras.

Mas como referi é uma mudança lenta. Ainda há sítios inenarravéis com malhas urbanas tão más que nem parecem que foram pensadas. E há, também,. o perigo de tornar o Algarve igual do barlavento ao sotavento mimetizando sucessos locais por várias zonas que nada tem a ver com outras. A diversidade de Portugal fá-lo rico. No Algarve isso também acontece, e deve ser acentuado.

O Algarve está a tomar um rumo diferente. O da qualidade. Sobretudo, mantendo e respeitando a tradição do que se faz bem e não ir em «modas» que facilmente tornará a região igual a tantas outras no mundo. E em mau.

Acredito que daqui a cinco anos o Algarve será ainda melhor do que hoje é. E entrará definitivamente para a lista de destinos de luxo. Basta apostar no que é genuíno e de qualidade. Tão simples.