Não, não é uma crónica sobre economia!

Há uns meses, quando começamos a preparar a DN Ócio, um dos nomes que veio à baila para realizarmos uma entrevista de vida foi Pedro Queiroz Pereira (PêQuêPê). Queríamos saber mais sobre a vida do empresário para lá dos negócios. O seu conhecido gosto pelo desporto e pelas coisas boas da vida, mas não só. Queríamos conhecer e dar a conhecer aquilo que o movia para lá das suas empresas.

PêQuêPê não aceitou. Disse à jornalista, que o tentou convencer, que não queria expor a sua vida mais privada. Uma pena. O nosso propósito é o de contar historias com interesse para o leitor. E estou certo que a vida cheia de PêQuêPê, contada na primeira pessoa tinha todo o interesse.

PêQuêPê, dizia de sim mesmo: «eu não sou gestor. Sou empresário».

Com a morte de PêQuêPê há um legado que fica. Mais do que a sua fortuna. A sua a postura perante o mundo empresarial e o sucesso possível da industria ter um papel importante em Portugal.

Num dos artigos que na semana seguinte à sua morte apareceram nos meios de comunicação social, há uma citação que fica na memória. PêQuêPê, dizia de sim mesmo: «eu não sou gestor. Sou empresário».

Quem ainda acredita na industria em Portugal? Quem acredita que pode gerar riqueza para além dos negócios do turismo?

E é isso que preocupa. Quem são os grandes empresários de Portugal agora? Sobretudo depois do desaparecimento de Belmiro de Azevedo e PêQuêPê.

Quem ainda acredita na industria em Portugal? Quem acredita que pode gerar riqueza para além dos negócios do turismo?

A dúvida fica no ar. Serão os/as herdeiras que tomaram esse papel? Ou ficaremos para sempre na visão de que somos um país de serviços – quando o que fabricamos e produzimos é de nível mundial?

A dúvida já existia. Com a morte de PêQuêPê ainda fica mais acentuada.

E não, isto não é uma crónica sobre economia. É uma crónica sobre o rumo de um país. Que tanto pode ser excelente no turismo como na industria. Algo óbvio que não entra na cabeça de muitos que preferem apenas uma das bandeiras. Infelizmente.