Corridas de cowboys

Desde 1955 que a corrida anual de 100 milhas, cerca de 160 quilómetros, é um momento atual da região da Sierra Nevada, na Califórnia, nos Estados Unidos. A prova, conhecida como Tevis Cup Challenge é feita a cavalo e considerada uma das mais duras do mundo. Cavalo e cavaleiros têm 24 horas para percorrer a distância, caso contrário são desclassificados.

Um dos fãs da prova e natural da zona, Gordy Ainsleigh, participou na edição de 1971 e 72, 73. No ano seguinte, e sem perceber que estava a inventar um novo desporto, Ainsleigh foi convidado a participar, mas, como na altura não tinha cavalo, decidiu então fazer os 160 quilómetros a pé e em menos de 24 horas. E conseguiu. A ultramaratona, disciplina nova da corrida, nascia ali – dizem alguns experts americanos, naturalmente.

Inspirado pelo seu feito, voltou a repetir nos anos seguintes e em 1977 organizou aquela que é considerada uma das mais míticas corridas do mundo: a Western States 100. Uma ultramaratona com os tais 160 quilómetros de distância feita por trilhos, no meio de vales e montanhas (chegam a subir a altitudes de 5000 metros), que atravessa rios e riachos e onde o espírito do velho oeste, de homens duros com a cara fustigada pelas horas ao sol, se mantém.

Para quem tiver curiosidade, basta procura na internet vídeos para entender que há ali um pouco de westerns e de cowboys que inspiraram através de filmes tantos jovens de outras gerações. Hoje são vários os corredores de todo o mundo que tentam entrar na prova, que tem sorteio para participar, tal a procura. Ainda neste ano, o recorde foi batido por um também norte-americano. Jim Walmsley correu as 100 milhas em 14 horas e trinta segundos.

Mas também na Europa se realiza em finais de agosto outra prova mítica, o Ultra Trail do Mont Blanc, uma corrida de 170 quilómetros pelos trilhos à volta do poderoso monte Branco.

A ultramaratona é uma vertente da corrida que continua a crescer em fama e nas distâncias. Ainda recentemente, um português, Diogo Simão, correu 450 quilómetros em 182 horas e 43 minutos. Foi o 22.º corredor a terminar a Tor des Glaciers, no norte de Itália, a mais longa prova de trail em alta montanha do mundo. Afinal, os cowboys não existem só na América.