Be…Be…thoven or not to be Be…atles

Para uma criança a iniciar o seu desenvolvimento intelectual, o mistério das letras é idêntico ao mistério das notas musicais, ambas são uma linguagem que quanto mais cedo for dada a conhecer melhor se aprende. Não posso precisar, em termos musicais, o início da minha aprendizagem enquanto ouvinte, mas de certeza que começou cedo pois não há casa por onde tenha passado na infância onde não houvesse música a tocar.

Na memória há dois momentos que retenho, um relacionado com os Beatles e o fascínio que, sem juízo critico ainda formado, senti ao ouvir o Ob-La-Di, Ob-La-Da que hoje considero ser uma das canções menores do grupo de Liverpool. A outra tem que ver com o Hino à Alegria, quarto movimento da 9.ª Sinfonia de Beethoven. Sei que ambos aconteceram ainda antes de ter entrado para a escola primária, o primeiro escutado a bordo de um BMW Isetta e o segundo explicado por um amigo do meu pai que era gago e que ao perceber que eu o estava a cantarolar perguntou se eu sabia quem era o compositor e, perante a negativa, foi célere no “Be…Be…thoven” elucidando-me a ignorância. Em seguida perguntou-me de que músicas gostava e, perante a minha resposta, explicou-me que a música dos “Be…Be…atles” não passava de devaneios de um grupo de ingleses guedelhudos sem futuro enquanto o compositor alemão era conhecido há quase duzentos anos. Ambos permaneceram na minha vida.

Como seria o mundo sem Beethoven? Sendo agnóstico, embora com educação católica que muito me ajudou a formar o meu carácter, admito que se Deus existe é através das artes que Ele melhor se expressa. Duzentos e cinquenta anos é uma migalha de tempo para a história do mundo, mas não deve haver muita gente no mundo civilizado que não conheça Beethoven e até a ciência usa a sua música para curar, pelo menos dizem os resultados de testes científicos que comprovaram que células cancerígenas remiram ao ouvirem a 5.ª Sinfonia.

Se John Lennon afirmou que os Beatles eram mais conhecidos do que Jesus Cristo, então que dizer de Ludwig vanBeethoven?!