Barricado em casa por um rato do campo

O meu signo chinês é o Rato, talvez por isso, ou porque vivo em casas térreas, os ratos perseguem-me, nada que me complique com os nervos, até porque as histórias são mais frequentes com os simpáticos ratinhos do campo do que com ratazanas. Tenho espalhadas pela casa umas armadilhas, umas jaulas que as apanham vivas, escondidas em pontos estratégicos, à vista fica somente a portinhola e se não a vir é sinal de que tem “brinde”.

Uma noite ouvi um barulho metálico que ignorei naquele momento e não mais me lembrei. Uns dias depois reparei que a portinhola não estava à vista, sinal de que tinha sido acionada. Fui ver e em vez de uma ratazana tinha uma maternidade, a ratazana tinha parido na jaula seis crias e rapidamente associei o barulho ouvido umas noites antes. Sem coragem para matar as crias resolvi deixar água e comida à mãe e ver o que acontecia. A natureza tem segredos misteriosos e quando voltei para ver o andamento da família, deparei-me com um cenário inimaginável, a ratazana tinha comido as crias, por uma questão de sobrevivência.

Uns anos antes, ao preparar os pequenos-almoços para os meus filhos encontro, no balcão da cozinha, meia dúzia de pequenas caganitas. Como no Algarve tenho o costume de deixar as osgas circularem pelas paredes da casa, já que comem mosquitos e aranhas e não incomodam, pensei que tivesse sido uma delas, só que nas manhãs seguintes os vestígios reapareciam. Toca de fechar portas e descobrir o misterioso “cagão”.

Montei uma câmara de filmar e apanhei em flagrante o bandido, um inofensivo rato de campo. Tarefa seguinte era expulsar o invasor, as armadilhas não surtiram efeito, o sacaninha comia o isco até ao limite que fazia disparar a armadilha, e pirava-se a tempo. Passei para uma tentativa de assassinato por envenenamento, o único resultado foi o de passar a apanhar caganitas azuis, já não na cozinha mas na sala. Com três filhos pequenos em casa, fiquei literalmente barricado na minha própria casa por um rato do campo durante meses. Nunca o apanhei, um dia fartou-se e foi à vida dele, devolvendo-me a casa.