Será assim o carro desportivo do futuro?

A BMW quer fazer-nos crer que sim, mas será possível com o seu i8, um automóvel híbrido plug-in com um motor turbo a gasolina de três cilindros proporcionar algum tipo de diversão? Sim, é.

Texto e Fotografias Fernando Marques

O já bem conhecido Prius da Toyota utiliza o mesmo princípio de motorização, mas as semelhanças terminam aí, porque o i8 é tudo menos enfadonho de conduzir. E os números não enganam perante um verdadeiro desportivo: o pequeno tricilindrico é capaz de debitar 231 cv destinados às rodas traseiras que, combinados com os 141 cv que a unidade elétrica transmite às rodas da frente, perfazem um total de 374 cv. Isto permite atingir os 100 km/h em 4,6 segundos no modo desportivo, com uma banda sonora digna de registo a acompanhar – basta colocar a manete das mudanças no modo desportivo puxando-a para a esquerda.

É certo que o som parece “produzido” em estúdio para soar daquela forma, mas é bom podermos escolher se queremos circular em silêncio ou com o “rugido” do motor de combustão atrás das nossas cabeças.

A bordo deste híbrido, em que a capota de lona aberta recolhe em quinze segundos até aos 50 km/h, encontramos o que é esperado num modelo de topo da BMW, com todos os controlos acessíveis. O mostrador multifunções e o head-up display mostram a informação de forma legível e clara e o ecrã TFT permite aceder à informação multimédia, incluindo sugestões de navegação até ao destino tendo em conta a carga da bateria.

Esta não é a primeira vez que a BMW produz um automóvel com motor central. Quem não se lembra do arrojado M1 com seis cilindros e 3500cc do final da década de 1970?

Com muita pele e algum carbono à vista, num nível de acabamento irrepreensível, o espaço interior é suficiente para os ocupantes, já para as suas bagagens temos uma mini bagageira com 154 litros de capacidade, parcialmente, ocupados pelos cabos de carregamento.

Ao contrário do coupé não há lugares atrás, assim temos espaço para mais dois pequenos sacos de viagem. Esta não é a primeira vez que a BMW produz um automóvel com motor central. Quem não se lembra do arrojado M1 com seis cilindros e 3500cc do final da década de 1970? De volta à atualidade, fruto do projeto Vision EfficientDynamics, o i8 é uma piscadela de olho ao M1.

Um dos motivos para o notável desempenho dinâmico deste roadster são os seus 1 560 quilos, conseguidos graças aos materiais utilizados, com um chassi em alumínio e o habitáculo a usar polímero de carbono reforçado, algo mais exótico e 50% mais leve do que o aço.

As linhas futuristas também ajudam, pois não é por acaso que o i8 parece saído de um filme de ficção. O seu desenho foi concebido em computador com os dados obtidos em túnel de vento, assim temos um centro de gravidade muito baixo (460mm) e uma traseira que parece “colada” ao chão, graças às asas dissimuladas na sua parte final.

Por fim, a motorização não precisa de se esforçar muito para impulsionar o i8 rapidamente até aos 250 km/h limitados eletronicamente. O BMW i8 é um desportivo diferente, sendo inevitável compará-lo a um desportivo tradicional com motor de combustão, o modelo óbvio será o Porsche 911. As sensações que provoca não serão porventura tão cruas, mas ainda assim estão lá e o i8 mostra-nos como é possível obtê-las com médias de cerca de 3L/100.

Preço base: 133.694,34 euros
Preço da unidade ensaiada: 186.870,00 euros
Motor: três cilíndros gasolina com 231 cv e elétrico com 141 cv
0-100 km/h: 4,6 s
Velocidade máxima: 250 km/h limitada eletronicamente
Peso: 1560 kg