Lexus UX 250h: o luxo quase perfeito

A Lexus entra no segmento crossover compacto com vontade de marcar pela diferença. E tem argumentos para isso.

Texto e Fotos de Fernando Marques

O UX 250h é o primeiro crossover compacto da marca, que já tinha disponíveis no seu catálogo os suv NX e RX. Seguindo a tendência, mas querendo oferecer ao mesmo tempo uma proposta diferente, o modelo só está disponível no nosso mercado com uma motorização: híbrido não plug-in que contempla um motor com quatro cilindros a gasolina de 2.0L e dois motores elétricos, disponibilizando um total de 184cv na versão E-Four de quatro rodas motrizes.

Para este modelo, a Lexus recorreu a uma caixa de velocidades CVT, com o seu comportamento peculiar (semelhante ao de uma scooter), ao contrário de uma caixa automática de dupla embraiagem, não sentimos as mudanças a entrarem. Temos apenas uma aceleração contínua, em que a rotação máxima do motor se sente muito cedo e torna-se algo incómoda, até nos habituarmos a dosear o acelerador para contornar a situação. Ultrapassada esta questão, conseguimos circular silenciosamente em modo elétrico até aos 115 km/h.

O UX 250h

É desta forma que podemos apreciar todo o esforço investido nos excelentes acabamentos, onde a marca vai buscar inspiração ao princípio da hospitalidade japonesa “Omotenashi”, em que o bem-estar dos convidados ou, neste caso, do condutor e ocupantes é a única preocupação.

Para atingir esta abordagem holística, a marca conta com a experiência e a sensibilidade dos seus colaboradores muito especiais: os mestres artesãos “Takumi”, que só atingem este estatuto ao fim de, pelo menos, 25 anos na fábrica da Lexus. Dos cerca de 7 700 trabalhadores da fábrica de Myata, no Japão, apenas 19 são “Takumi”. A obsessão com a excelência e a perfeição é tal que cada Takumi se dedica a uma área específica do automóvel e o responsável pelo motor usa, por exemplo, um estetoscópio para detetar vibrações parasitas e assim as eliminar.

Interior do UX 250h

O resultado é percetível desde o simples fechar das portas, passando pela insonorização no interior; da perfeição das costuras em tudo onde é usada pele, ao toque nos materiais escolhidos. Infelizmente, nem tudo é perfeito nesta experiência sensorial.

O design exterior é, sem dúvida, distinto com a grelha frontal (que já tínhamos visto na nave espacial que a Lexus concebeu para o filme “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, de Luc Besson)

Há soluções que temos alguma dificuldade em perceber porque foram escolhidas como é o caso do trackpad, interface para interagir com o sistema de info-entretenimento, cuja habituação é difícil e a utilização pouco intuitiva. Depois temos ainda imensos comandos manuais, numa altura em que a tendência é substituí-los por sistemas de comando por voz, como o da Google, Apple ou o da Amazon, é pena não o vermos também integrado no UX.

Voltando às coisas boas, à semelhança do que se passa no segmento premium, o sistema de som não foi descurado e o UX vem muito bem servido com a marca de alta-fidelidade Mark Levinson a encarregar-se do audio a bordo.

O design exterior é, sem dúvida, distinto com a grelha frontal (que já tínhamos visto na nave espacial que a Lexus concebeu para o filme “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, de Luc Besson) sobredimensionada, a seguir a linha do resto da gama, e já agora também da concorrência, passando pelos espelhos que prolongam a assinatura dos faróis. Na traseira, os farolins assumem a forma de estabilizadores laterais para reduzirem a turbulência e aumentarem a estabilidade em curva. São ligados por uma barra com 120 LED, que diz a marca: “simula o nascer do sol no horizonte”.

Preço: a partir de 42.500 euros