Conduzimos a edição (muito) exclusiva do Alfa Romeo Spider

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A verdade é que quando éramos pequenos, os carrinhos com que brincávamos eram muitas vezes parecidos com o imaginário do Alfa Romeo 4C. Atualmente, as marcas mais conhecidas de miniaturas de automóveis contemplam o 4C no catálogo dos modelos de brincar.

Texto e Fotografias de Fernando Marques

Sem brincadeiras, a Alfa Romeo decidiu dar forma a este 4C. Para este projeto, fruto da vontade do falecido Sergio Marchionne (diretor executivo da Fiat Chrysler Automobiles que faleceu em julho de 2018), numa produção na fábrica da Maserati, em Modena, não foram poupados meios para construir um automóvel capaz de proporcionar um prazer de condução sem compromissos.

O chassis é feito de uma única peça em fibra de carbono, a carroçaria utiliza um material compósito muito leve e para o resto da estrutura e no motor elegeram o alumínio. Para animar o conjunto temos um motor de 1750cc turbo com “apenas” 240 cavalos, que pode parecer pouco, mas garantimos serem mais do que suficientes para os 940 quilos que este Spider Italia pesa.

O 4C Spider Italia não é um carro massificado, não só pela sua exclusividade (testámos a unidade 035 de uma edição limitada de 108 no mercado europeu), como pelo seu preço (cerca de 90 mil euros), mas também pela sua filosofia purista. Tudo para uma experiência de condução que começa logo ao entrar nele: não nos sentamos, caímos para o banco por ser tão baixo (ficamos a apenas 40 cm do chão).

Já instalados, de imediato notamos a falta de elementos que possam desviar a nossa atenção para outra coisa que não seja a condução. Não há ecrãs multimédia, só existe um pequeno TFT a desempenhar a função de mostrador multifunções, e temos direito a um auto rádio que parece saído dos anos 1980, muito embora tenha bluetooth.

Não nos parece, no entanto, que quem compre este Alfa Romeo vá querer ouvir outra música que não seja a que sai do motor e dos escapes, especialmente, feitos pela Akrapovic. O espaço interior é suficiente mesmo para estaturas grandes e a qualidade dos materiais é muito boa, com carbono à vista, mas também pele e microfibra nos bancos e volante, tudo sóbrio. A posição de condução se não é perfeita, anda lá perto. Para colocar o 4C a trabalhar temos de rodar a chave na ignição (à antiga), e somos brindados com um maravilhoso som grave e rouco, juntamente, com mais uma panóplia de outros sons que não é habitual ouvirmos noutros automóveis, pois o motor está mesmo atrás das nossas cabeças.

Conseguimos ser muito felizes a conduzir o 4C Spider Italia, sobretudo, fora da cidade numa estrada com curvas. Sim, porque neste carro o que nos deixa a delirar não é a velocidade de ponta mas a velocidade a que fazemos as curvas

Na consola central, a tradicional manete de mudanças dá lugar a quatro botões que permitem escolher entre os modos automático ou manual com recurso às patilhas no volante. Existem três modos de condução, mas com sol e a estrada seca escolhemos o dynamic.

Fomos felizes a conduzir o Spider

Conseguimos ser muito felizes a conduzir o 4C Spider Italia, sobretudo, fora da cidade numa estrada com curvas. Sim, porque neste carro o que nos deixa a delirar não é a velocidade de ponta mas a velocidade a que fazemos as curvas (a marca diz ser possível atingir os 1,1G). Não duvidamos, pois a forma como se agarra ao chão é impressionante, sem dúvida que a distribuição de peso 41/59, e o baixo centro de gravidade contribuem para isso. No entanto, nota-se um ligeiro alargar da trajetória na frente, já atrás será preciso alguém com muitos mais dotes de condução do que nós para que a traseira saia do carril. A sensação de condução é incrível e o que nos vem à cabeça são sempre as memórias de quando se anda de kart.

Infelizmente, nem tudo é perfeito neste 4C Spider Italia, sobretudo se for uma opção para usar todos os dias. A direção não é assistida, o que é excelente para conduzir em estrada aberta, mas torna-se um pesadelo na cidade, especialmente, em manobras lentas. A suspensão neste carro não serve para filtrar os buracos, nem tão pouco o empedrado nas ruas da cidade, mas sim para mantê-lo colado à estrada, de preferência sempre em alcatrão bom.

O 4C não é para condutores preguiçosos, é um automóvel exigente, física e mentalmente. Uma pequena distração a ritmo elevado e podemos pagar caro, tal como nos karts. A Alfa Romeo está a viver um momento como não se via há décadas e com o regresso à Fórmula 1 volta a ser uma marca de referência para os amantes de automobilismo, especialmente, quando nos permite sonhar ser um verdadeiro piloto aos comandos de automóveis como o 4C Spider Italia.

Ficha técnica:
Alfa Romeo 4C Spider Italia 035/108 Azul Misano
Preço da unidade testada: 91.643,98 euros
Motor: quatro cilíndros em linha turbo com 1742cc
Potência: 240cv
Aceleração 0-100 (s): 4,5
Velocidade máxima (km/h): 258
Tração: traseira
Caixa: TCT-Automátic