Bisneta do fundador da Harley Davidson “Mulheres ganham lugar no mundo das motas”

Por estes dias Cascais é a capital europeia da Harley Davidson. A concentração anual da marca faz-se pela baía da vila. As mais de 50 mil motos e o seu barulho característico “tomam” conta das redondezas. No local do evento, uma loira esguia de sorriso fácil não passa despercebida sobretudo aos seguidores e fãs da Harley Davidson que lhe pedem repetidamente para tirar selfies. Ela é Karen Davidson bisneta de um dos fundadores de uma das marcas de motos mais famosa do do mundo que visita Portugal pela primeira vez.

Texto de Filipe Gil

Desde 1989 a trabalhar na empresa, Karen é responsável pelo merchandising e pela linha de vestuário da marca fundada em 1903 na cidade norte-americana de Milwaukee, no estado norte-americano do Wisconsin. Foi distinguida, em 1991, pelo Conselho de designers de moda dos Estados Unidos pela sua influência no setor e hoje toda a linha de vestuário passa por ela.

Num dos stands da marca, à beira da cidadela de Cascais, Karen conta-nos como as mulheres estão a ganhar cada vez mais importância no mundo das motos e como é carregar no nome a herança de uma marca que para muitos é muito mais do que isso, é um estilo de vida.

Como é carregar o nome da Harley Davidson na sua vida?
É com muito orgulho e muita honra. Estou ligada desde sempre à marca, posso dizer que cresci com ela, mas profissionalmente só a partir de 1989 quando entrei para a empresa. Desde então, não me esqueço que trabalho para os motociclistas.

Lembro-me que há uns anos as mulheres que andavam de mota faziam-no sempre em conjunto com homens, hoje vejo as mulheres a irem sozinhas ou em grupos de amigas para a estrada.

O mundo das motas continua a ser predominantemente masculino?
Está a mudar depressa. A nova geração de mulheres quer ir para a estrada. E as que estão já na estrada estão a inspirar as novas gerações. Repare, a nova geração de mulheres tem muita coragem, basta pensar no que estão a fazer no desporto, na política, etc. Nas motas também. Há cada vez mais mulheres a andar. Lembro-me que há uns anos as mulheres que andavam de mota faziam-no sempre em conjunto com homens, hoje vejo as mulheres a irem sozinhas ou em grupos de amigas para a estrada. Não é uma mudança imediata, mas está a acontecer. As mulheres estão cada vez mais corajosas e habilitadas para fazerem o que gostam.

Criada em 1903 na cidade de Milkwaukee, a Harley Davidson é uma das marcas de motas mais antiga do mundo. (Foto D.R.)

Como foi crescer no mundo da Harley Davidson?
Bem (risos) comecei a andar de mota com nove anos. Antes disso disso já andava nos sidecar ao lado do meu pai [Willie G. Davidson]. A minha família partilha toda da mesma paixão, desde os meus irmãos à minha mãe. E as férias em família eram feitas de mota, todos juntos. Para nós sempre foi um estilo de vida. Não era só trabalho, no que respeitava ao meu pai, mas também uma forma de nos divertirmos em família. Depois de ter estudado Moda e Design tive o privilégio de me juntar à empresa com a ideia de criar peças de vestuário.

À direira de chapéu William H. Davidson, avô de Karen Davidson, que durante vários anos presidiu os destinos da Harley Davidson. (Foto D.R.)

Conviveu com o seu avô?
O meu bisavó [William A. Davidson, um dos fundadores da Harley Davidson] não conheci, mas o meu avô sim. Ele [William H. Davidson] foi diretor da empresa durante anos. Era uma pessoa muito focada no negócio. Gostava de andar pelas fábricas a ver a produção. Lembro-me bem quando comecei a trabalhar na empresa ir mostrar-lhe ideias entusiasmada e ele só me dizia: “já fizemos isso!”. De facto, a Harley Davidson já faz vestuário desde 1912…

 

Pela primeira vez em Portugal, Karen Davidson não parou de conviver com os fãs da marca e de aceder aos pedidos de fotografias. (Foto D.R.)

Qual a história que mais a marcou nestes anos de Harley Davidson?
Decididamente foi quando comemorarmos 100ª aniversário da marca e fizemos uma viagem de moto desde Milwaukee, onde é a nossa sede, até à California (cerca de 3500 quilómetros), e depois regressamos. Essa viagem, que fizemos em família, e ao qual se foram juntando muitas pessoas nas suas motos, foi um momento inesquecível, mesmo. Fizemos muitas paragens, falamos com muita gente, foi uma viagem muito emotiva. Contudo, a nossa história, como empresa, teve momentos altos mas também baixos. E isso fez-nos ter uma percepção que nada está garantido. Quando se viaja pelo país e vemos aquelas pessoas que não conhecemos de lado nenhum juntarem-se a nós, é muito gratificante. E além disso, divertimo-nos muito.


Veja também:

As Harley Davidson que brilham em Cascais este fim-de-semana (com galeria de fotos)