Alpine A110: o irredutível gaulês

Pequeno, baixote, mas muito rápido e ágil, o novo Alpine A110 bebeu a porção mágica para ser um dos mais combativos desportivos da atualidade. Rui Pelejão, editor do site Motor 24, conduziu-o.

Texto de Rui Pelejão/Motor 24

A Renault decidiu relançar a histórica marca Alpine, «adormecida» desde 1995 mas que nos seus pergaminhos conta com vitórias em Le Mans e momentos épicos na história dos ralis com duas vitórias no Rali de Portugal – em 1971 com JP Nicolas navegado pelo atual presidente da FIA, Jean Todt, e em 1973 com Jean-Luc Thérier.

Para honrar essa história, a Renault recorreu a uma fórmula rétro e inspirou-se no seu mais célebre modelo da década de 1970, o A110.

A reinterpretação moderna promete ser um novo ariete no domínio dos carros desportivos de performance pura, rivalizando com modelos como o Alfa Romeo 4C, o Audi TT, o Nissan 370 Z e, com jeitinho, até o Porsche 718 Cayman.

A poção mágica deste Astérix do asfalto é a combinação do seu baixo peso (1103 quilos) com um motor enérgico e vitaminado (1.8 Turbo de 252 cv). Isto permite-lhe ter uma imbatível relação peso-potência, na ordem dos 4,3 kg/Cv, e uma agilidade de peso-pluma. A carroçaria, coupé de dois lugares, é construída essencialmente em alumínio, e no conjunto de predicados mecânicos orientados para a performance destacam-se a equilibrada distribuição de potência entre os dois eixos, o baixo centro de gravidade, as suspensões desportivas, os potentes travões Brembo com pinças de alumínio e a rápida caixa de dupla embraiagem de sete velocidades com patilhas no volante.

De resto, a atestar a pureza e a nobreza de caráter, a tração traseira e o motor central. Em aceleração, o Alpine é capaz de cumprir os 0 aos 100 km em apenas 4,5 segundos, enquanto a velocidade máxima está limitada aos 250 km/h.

O seu baixo peso favorece os consumos numa utilização branda (que é sempre difícil, quando o acelerador está sempre a pedir festa), que se podem cifrar nos sete a oito litros por cada 100 km. Há três programas de condução que podem ser definidos num botão do volante, cujo modo mais extremo é o «Track» em que todas as qualidades dinâmicas do Alpine ficam apuradas ao extremo.

É neste modo que aguça os sentidos em que é possível explorar todo o poder do Alpine, um carro muito equilibrado e previsível, com uma incrível capacidade de inserção e passagem em curva e uma agilidade a toda a prova, sem fazer do condutor um saco de porrada, como acontece noutros desportivos mais brutamontes. A Renault encontrou a poção mágica certa para fazer do Alpine A110 um irredutível gaulês.