1927 | Um dia nas corridas de cavalos

Um cavalo sem cavaleiro classificou-se numa prova em Cascais. Estávamos em 1927 e decorriam as últimas corridas da época, promovidas pela Sociedade Hípica Portuguesa, e que tinham como palco o Campo da Marinha.

Texto de Patrícia Tadeia | Fotografias Arquivo DN

«O cavalo Hedjaz caiu num salto ficando o cavaleiro ferido na cara. Hedjaz levantou-se e inteligentemente fez sozinho toda a prova, saltando todos os obstáculos e chegando em segundo lugar», noticiava o Diário de Notícias na edição de 10 de outubro de 1927.

Mas a história de Hedjaz – que em árabe significa «barreira», mas que neste domingo ninguém conseguiu parar – não foi o único episódio digno de notícia. Na primeira corrida do dia, um dos cavalos encontrou um obstáculo inesperado: «Ortigão esbarrou com um automóvel que insensatamente atravessava a pista». Conta o Diário de Notícias que, «felizmente o cavaleiro, apesar de ter sido projetado à distância, nada sofreu de gravidade».

Em jeito de balanço das últimas corridas da época, recorda-se ainda como era «muito distinta» e «numerosa» a assistência. Entre o público estavam, por exemplo, o chefe de Estado, general Óscar Carmona, o ministro dos Negócios Estrangeiros, António Maria de Bettencourt Rodrigues, o ministro do Interior, José Vicente de Freitas, ou o ministro da Guerra, Abílio Passos e Sousa.

Na atual Quinta da Marinha, junto ao Guincho, em Cascais, disputava-se um «prize-money» de oito mil escudos. Decorreram cinco corridas: o Prémio Conde de Fontalva, o Prémio Raul Gilmann, o Prémio Sociedade Hípico, o Grande Prémio da Marinha e o Grande Steeple Militar. Nas provas participaram jockeys profissionais.

Nos anos 20 do século passado, o transporte de cavalos não era a prioridade, mas muita tinta corria já sobre os protagonistas. Rugby, Flor de Maio, Babonna, Gazeo ou Pompette eram os nomes em destaque nos jornais. Mas, neste dia, o título pertenceu mesmo a Hedjaz, o cavalo que correu sem cavaleiro e, ainda assim, se classificou.