Memória: 1936. Exames de admissão e bons sons

Nessa altura, eram cerca de mil os alunos que concorriam ao Conservatório, com direito a destaque no jornal. E a provas de Francês.

Texto de Patrícia Tadeia

Se até 1834 o ensino da música em Portugal se focava no contexto religioso e era ministrado no Seminário da Patriarcal, a partir daí tudo mudou. A criação de um Conservatório de Música em Lisboa e a reforma do ensino da mesma deveu-se à ação do músico João Domingos Bomtempo, que, nesse ano, transferiu o foco para a formação no campo lírico e na música exclusivamente instrumental. A partir daí, começou «a formar progressivamente músicos e cantores de ambos os sexos, evitando a necessidade constante de contratação de estrangeiros», informa a instituição.

Músicos esses que, cem anos depois, em 1936, eram destaque no Diário de Notícias, que dava conta do seu desempenho nos exames finais. «No Teatro Nacional realizou-se a 29ª audição escolar do ano letivo de 1935-36 para prova final e concurso a prémio da aluna do 2º ano do curso de teatro Maria da Conceição de Mesquita Spranger e para provas finais e concurso a prémio dos alunos do 3º ano do curso especial de bailarinos e para idêntica prova de cenografia a que é concorrente Manuel Maria de Sousa Calvet de Magalhães.» Lê-se ainda na edição de 20 de julho de 1936 que foi a aluna que mais se destacou.

«Decorreram com interesse estas provas, tendo revelado qualidades de dicção, gesto e sentido de atitudes a concorrente dramática Maria da Conceição e Mesquita Spranger», revela o DN, que acrescenta ainda a classificação final: 18 valores.

Um ano depois, a 16 de julho de 1937, o mesmo jornal dá conta do número de inscritos para o Conservatório. «Começaram ontem os exames dos alunos externos. O número total de inscritos para exames nas várias disciplinas e cursos é de 1078», lê-se nesta edição, que enumera as provas de solfejo e piano a que os alunos foram submetidos. Além disso, os mesmos tinham ainda de «comparecer à parte escrita da disciplina de Francês».