1938. Uma viagem no tempo até aos elegantes desfiles de alta-costura

A Alta-costura veste bem e com elegância em Portugal. O melhor da moda foi sendo notícia em festas sofisticadas que foram marcando o calendário no arranque de cada temporada.

Texto de Patrícia Tadeia

«Uma noite de alta elegância.» Foi assim a edição do Diário de Notícias do dia 22 de abril de 1938 se referiu ao Chá Oficial de Alta-costura. O Palácio da Foz encheu-se de «senhoras lindas e bem vestidas» dos «melhores e mais escolhidos nomes» para assistir à inauguração oficial da época de verão.

«O verão principia quando as mulheres vestem os primeiros vestidos, ou põem os primeiros chapéus de verão, ou mesmo quando conhecem, namoram ou escolhem os figurinos da temporada», lê-se a propósito do evento organizado pela revista «Eva».

Foi aliás o semanário de moda português – que existiu entre 1925 e 1975 – que organizou vários bailes e desfiles de Alta-costura, sempre sob o olhar atento da diretora Carolina Homem Christo. Assim foi em abril de 1937, no Palácio Foz. «O Baile Oficial da Alta-costura foi uma das mais lindas e mais elegantes festas que se têm feito em Lisboa», lê-se no DN. «Raras vezes se tem feito em Lisboa festa de tão rara beleza (…) A organização que lhe deu a revista Eva foi verdadeiramente modelar. Não só manteve como excedeu as suas tradições de criadora de lindos espetáculos», continua o DN.

Com a presença das coleções das casas de costura Beatriz Chagas Borges, Duarte, Bobone e Madame Vale, o evento é comparado aos desfiles de Paris e Viena. «Nunca Lisboa viu conjunto de tão formosas mulheres», lê-se ainda.

Frequentemente aos desfiles por Lisboa ou Coimbra juntavam-se os jantares e os bailes, como aconteceu no Avenida Palace em 1936. De isso mesmo dá conta a edição de 22 de novembro do DN que fala de um «acontecimento extraordinário de notável brilho mundano» dividido em três partes: um «jantar servido a primor», um «desfile de vestidos de noite» e de vestidos que «à passagem dos manequins foram olhados como pequenas obras de arte», e por fim «um baile muito animado pela madrugada fora», com «senhoras primorosamente vestidas». Uma festa de alta-costura, que «se equipara às das grandes capitais europeias».