Sua excelência o ouriço de volta à Ericeira

Até dia 7 de abril, o ouriço do mar é rei na Ericeira (FOTO: Jorge Simão)

De 29 de março a 7 de abril, mostra gastronómica, show cooking, degustações e ações de divulgação científica. O Festival Internacional do Ouriço regressa à Ericeira pelo quinto ano consecutivo com 27 restaurantes aderentes.

Há uma familiaridade de nomes – Ericeira e ouriço – e não é por acaso. A vila já se chamou ouriceira devido à grande concentração desta espécie marinha que ali existia (e continua a existir). A partir da próxima sexta-feira e até dia 7, o ouriço é rei, num festival que mais do que apenas dar a provar esta iguaria, aposta também em divulgar os projetos de investigação em curso.

Isso mesmo explica Nuno Nobre, mariscador e pescador nos tempos livres e promotor desta iniciativa pelo quinto ano consecutivo: “É um festival que aborda desde temas de investigação e ciência à gastronomia e turismo. Nós não conseguimos promover, potenciar o consumo de ouriços-do-mar sem termos projetos em paralelo que estudem a ecologia, preservação da espécies selvagens e conhecermos o stock deste recurso marinho e o seu ecossistema.”

“Os nossos ouriços são muito bons, têm muito iodo. Eu já provei ouriços em muito sítio, os nossos têm uma particularidade que é ter o iodo muito, muito forte”.

Nuno Nobre diz que Portugal ainda não sabe valorizar este produto endógeno, muito apreciado pelos espanhóis, que vêm cá comprar ouriços-do-mar para depois vender por três ou quatro vezes o preço no seu país. “Tal como fazem com outros recursos, no ouriço-do-mar já colocam aqui caixas para os mariscadores portugueses apanharem tudo o que conseguirem”, conta. Compram a preços entre os seis e os dez euros o quilo, vendem em Espanha a preços entre os 30 e os 50 euros.

“Os nossos ouriços são muito bons, têm muito iodo. Eu já provei ouriços em muito sítio, os nossos têm uma particularidade que é ter o iodo muito, muito forte. Na Galiza também são bons, mas no Brasil ou no Chile não têm tanto iodo porque as águas são mais quentes, não têm aquele boost de sabor e mar na boca”, explica o organizador do festival.

No próximo sábado, a Casa da Cultura Jaime Lobo e Silva recebe as jornadas técnicas durante toda a manhã. Aqui decorrem dois painéis, de literacia dos oceanos e literacia alimentar, onde se mostra a importância do recurso, bem como a sua utilização na gastronomia.

Nesta quinta edição, foram 27 os restaurantes que se associaram à iniciativa, com várias propostas para degustar este fruto do mar.

Entre as 16 e as 18.00, o Mercado Municipal recebe as sessões de show cooking, com a participação de Pedro Marques (Valle Flôr Pestana Palace Lisboa), Luís Castelo (Oficina 8), Miguel Bértolo (Chirashi Sushi e ACPP – Associação dos Cozinheiros Profissionais de Portugal), Marcos Silva (Pousada de Lisboa), Flávio Silva (Buke Villa Pampilhosa Hotel e Aldeias do Xisto), Nuno Bandeira de Lima (Restaurante Infame), Leandro Siscometo de Mesquita (Projeto Comida Livre), entre outros.

Degustar o ouriço-do-mar de várias maneiras é a proposta do Festival Internacional do Ouriço do Mar, na Ericeira (FOTO: Jorge Simão)

Nesta quinta edição, foram 27 os restaurantes que se associaram à iniciativa, com várias propostas para degustar este fruto do mar. Nuno Nobre, 42 anos, é apaixonado pelo mar e mariscador informal. Juntou esta paixão à sua atividade profissional como consultor nas áreas de turismo e gastronomia e apresentou a proposta do festival à autarquia de Mafra em 2012.

O Festival Internacional do Ouriço chega este ano à sua quinta edição – “casámos os anos”, diz aludindo às cinco ovas que constituem cada ouriço.


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