Os novos pratos do The Insólito: qualidade com nomes estranhos

É insólito e surpreende. Não tanto pela irreverência dos nomes dos pratos mas pela qualidade dos ingredientes. O restaurante The Insólito tem uma das melhores vistas sobre Lisboa mas nem isso desvia a atenção do que nos colocam na mesa.

Texto de Filipe Gil

A “abertura” de Lisboa ao turismo de massas trouxe consigo um sem número de novos restaurantes, com mais ou menos qualidade. O certo é que, desde há cinco anos o panorama da capital portuguesa é totalmente diferente do que era. Nada de novo nem que surpreenda o leitor.

Mas isso trouxe várias divisões nesta nova panóplia de locais. Desde os espaços honestos com típica comida portuguesa e sem grande glamour, aos de extrema qualidade, com jovens chefs que começam a criar e a gerir os próprios restaurantes depois de anos a aprender com os melhores. Ali no meio disto há uns wanna be’s, que não tem a qualidade da comida típica e ficam a galáxias de distância de um serviço digno, apesar de quererem estar nesse campeonato.

E há ainda uma outra tipologia. Que não se insere no que foi acima escrito. São espaços que valem por si e pela comida. Ponto. Não sendo do campeonato das estrelas Michelin estão a milhas de distância dos wanna be’s. São locais honestos, quer pela decoração e serviço ou pela qualidade. Locais acima da média dos quais saímos com vontade de regressar.

Foi isso que encontrámos no The Insólito, o restaurante no topo do hotel The Independente, na rua de São Pedro de Alcântara, em Lisboa. O local, com uma das melhores vistas sobre a capital, parece uma torre de babel tal a diversidade de línguas que ouvimos. Das que reconhecemos, ouviu-se: holandês, francês, italiano, inglês e até hebraico – que confirmámos junto de um dos empregados.

Mas, para além do espaço descontraído e cool, bem decorado e dos inúmeros estrangeiros que “invadem” o espaço contíguo há que mencionar a comida.

A cozinha é da responsabilidade do chef António Sousa (que no edifício ao lado chefia a cozinha do The Decadente). O chef executivo, que passou pela Casa da Calçada (que tem uma estrela Michelin) com o chef Ricardo Costa e pelo 100 Maneiras do chef Ljubomir Stanisic, aproveita o The Insólito para dar asas à sua imaginação e criar pratos com ingredientes e nomes algo inesperados

Contudo, com hipótese de escolher, a estratégia passou por provar os pratos mais clássicos para perceber o que tinham de insólito. Para início Carpaccio de Vieiras. Sem surpresas, não fossem os noodles crocantes que trouxeram novidade e frescura a um ingrediente que, apesar da qualidade, já invadiu os cartas de muitos, demais, restaurantes.


Outra entrada: Nori de atum. Um tártaro de atum com maionese japonesa, alcaparras, algas nori e wakame. Foi aqui que o The Insólito começou a revelar-se. Ingredientes pouco insólitos mas de uma grande qualidade. Uma entrada muito bem conseguida.

O prato de peixe foi uma Horta do Pregado. O peixe veio corado com beldroegas, espinafre bebé, agrião, salicórnia, tomate cherry e balsâmico. Mais uma vez a qualidade dos ingredientes em destaque. Neste prato o peixe podia vir sozinho. Desacompanhado, pois tinha perfil e qualidade para tal.

Na carne a escolha recaiu no Leitãozinho que é barriga de leitão com puré de pimenta. A apresentação do leitão era insólita, sem dúvida. Mas, mais uma vez, foi a qualidade dos ingredientes que confirmaram que o chef António Sousa sabe a quem comprar os seus produtos.

Para finalizar uma refeição equilibrada, um Go Nuts, que é como quem escreve um sponge cake de pistachio, com gelado de noz e avelãs caramelizadas.

O restaurante faz justiça ao seu nome não tanto pelo nome curioso de alguns pratos e pelo casamento às vezes inusitado de alguns ingredientes. O insólito sim (mas não devia) é que um local tão descontraído, despretensioso e com tanto turismo aposte tanto na qualidade.

The Insólito
Aberto todos os dias.
Das 19h às 23h00.
O bar está aberto das 18h às 01h00.
Rua de São Pedro de Alcântara 83,
1250-238 Lisboa


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