«Quantum Racing» vence prova com um português na equipa de apoio

A «Quantum Racing» foi a grande vencedora da Rolex TP52 Super Series, que terminou este sábado em Cascais. E nesta equipa, oriunda dos Estados Unidos, também se fala português. Pedro Rebelo de Andrade é um dos membros desta equipa.

Texto Patrícia Tadeia

A «Quantum Racing» é a equipa da família DeVos. Doug DeVos é um dos membros fundadores, investidores e líderes das 52 SUPER SERIES. Os norte-americanos venceram a competição em 2013, 2014 e 2016, igualando o recorde da «Azzurra» (vencedores em 2012, 2015 e 2017).

Boas notícias para o velejador português que é representante da «Quantum» desde 2004. Catorze anos em que a marca foi contando também com a experiência de Pedro Rebelo de Andrade para as regatas que foi fazendo em Cascais. «Já trabalhei com eles em outras edições. Sempre que vêm cá pedem-me que participe na prova com eles», começa por explicar o velejador português ao DN Ócio.

Mas em que consiste afinal esta ajuda preciosa do português por águas lusas? «Fazemos um briefing matinal para analisar a previsão meteorológica, analisamos como estarão as correntes, cruzamos a informação que eles têm com a minha experiência em regatas aqui em Cascais. E elegemos a estratégia. A minha função é mais tática, tem a ver com a estratégia para a regata, mas é todo um trabalho conjunto», adianta Pedro que acredita que a «Quantum» sairá vencedora este sábado.

Contando já com um elenco de galáticos na sua tripulação, a equipa americana foi reforçada com a chegada de Dean Barker, a estrela da America’s Cup. «A Quantum é a equipa mais bem preparada, tem um conjunto de velejadores de nível superior. Têm um entrosamento de equipa muito grande, a parte das manobras é muito importante, e têm vantagem relativamente a outros grupos», refere ao DN Ócio, enquanto se prepara já para partir.

«Já trabalhei com eles em outras edições. Sempre que vêm cá pedem-me que participe na prova com eles.»

Infelizmente a equipa norte-americana não contou com a experiência do português esta sexta-feira e sábado, últimos dias da prova. Pedro viajou para Helsínquia, Finlândia, onde está a participar, a bordo do «Olinghi», na Dragoon Gold Cup 2018, que decorre até dia 28 de julho. A verdade é que o velejador português compete cerca de 160 dias por ano, e atualmente está focado na classe Dragão.

Entre os velejadores estiveram mais dois portugueses. Gustavo Lima fez parte da equipa inglesa «Alegre», e Paulo Manso foi o português entre a equipa sul-africana «Phoenix». «Todos eles têm uma importância extraordinária», explica ao DN Ócio Gonçalo Esteves, presidente do Clube Naval de Cascais.

«É muito especial para nós recebermos o campeonato do Mundo de TP52, que nos monocascos, sem ser a America’s Cup, é a classe mais importante. Nunca temos muito tempo para preparar a casa. Mas tanto em terra como no mar tem de ser muito bem preparado, estamos a falar de velejadores de enorme importância. O salário de uma equipa desta é mais caro do que uma equipa que possa fazer a volta ao mundo durante dez meses. Estamos a falar de uma campanha que custa 2 milhões de euros sem contabilizar o preço do barco. São 5 eventos, por isso contam-se 400 mil euros por evento entre alojamento, deslocação e salários, claro», explica ainda.

Este campeonato é transmitido live para todo o mundo no site da organização. E Gonçalo não podia estar mais feliz com a projeção que a prova tem dado ao Clube Naval de Cascais, que este ano completou o 80.º aniversário. «É enorme. Há 5 anos tínhamos de enviar os conteúdos para as revistas e sites da especialidade e esperar que passem. Hoje são milhares e milhares posts partilhados pelos variadíssimos barcos, armadores, skippers, pelas companhias que detêm as velas. Chegamos ao final do dia e houve 50 mil ‘gostos’ ou 100 mil em fotografias de cascais. Há uma projeção universal», conclui Gonçalo.