[Vídeo] Prancha de madeira açoriana quer rasgar ondas mais ecológicas

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Numa altura em que o mercado do surf tenta eliminar materiais ainda derivados do petróleo, a Breklim vem abrir a porta a um desporto mais verde, com materiais totalmente certificados. Conheça como nasceu esta marca de pranchas de surf feitas em madeira.

Texto Patrícia Tadeia | Fotografias Paulo Spranger/Global Imagem

Aos 50 anos, Gonçalo Belmonte é feliz. Deixou um emprego na área da comunicação, para se dedicar inteiramente ao fabrico de pranchas de madeira. «Nasci e vivi a maior parte da minha juventude ate aos vinte anos em Carcavelos. Era caríssimo ter uma prancha de surf, contentava-me a fazer o que se chama hoje em dia bodysurf. Passava o tempo todo nisso. Quando 27 ou 28 anos, a minha mulher deu-me uma prancha de surf, o vicio veio e ficou para sempre», começa por contar Gonçalo ao DN Ócio.

Daí à produção de pranchas, foi um instante. «A minha família trabalha em madeira e outros materiais. Desde o início que quis sempre fazer uma prancha em madeira. E passei por várias fases. Tive ajuda de imensas pessoas, imensos shapers que em Portugal são muito reconhecidos, como o João Pires, em São Pedro, o Lufi, que me ajudou na primeira unidade que produzi, o Luís Carvalho da Lacrau, pessoas que me aturam há muitos anos com esta maluquice das pranchas de madeira, que me ajudaram a produzir as primeiras», confessa.

A primeira nasceu há 10 e 15 anos, avança hesitante. «Ainda hoje existe, pesa uns 30 ou 40 quilos. De vez em quando ainda vai para dentro de água e funciona», garante. Foram vários os processos até hoje, usando vários materiais como catos, cave, piteira.

O processo evoluiu e, hoje, Gonçalo já consegue pesos muito aproximados aos das pranchas normais, com uma tecnologia de compósitos já bastante apurada. Ecológicas e com caraterísticas em tudo muito aproximadas a uma prancha, dita normal. A madeira – Criptoméria dos Açores – vem da Serra da Tronqueira, em São Miguel, diretamente para uma oficina em Alenquer com 500 anos de história.

Foi também nesta oficina que o pai de Gonçalo construiu «uma prancha de surf oca à vela em cima da qual fez um barco e que se chamava Breklim». «Breklim também foi o nome de uma série de Teckels de pelo sardoso que tínhamos em casa. Era sempre o nome do cão. Portanto, a marca existiu antes do produto», diz Gonçalo.

Francisco Lufinha foi um dos atletas que deu a conhecer a marca, na recente travessia Açores – Lisboa. «O Francisco é um atleta extraordinário. Houve aqui obviamente uma admiração enorme pelo trabalho que ele tem feito e pela pessoa que é. Logo quando o conheci e soube que ele ia fazer esta travessia, senti imensa empatia com ele e com o projeto dele. E portanto surgiu entre nós a ideia de construir uma prancha de criptoméria açoriana para a travessia», explica.

«O surf é um desporto de íntima ligação à natureza. Um desporto que tem uma empatia enorme com o oceano mas depois todos os materiais que utilizamos são essencialmente derivados do petróleo. Utilizar materiais menos poluentes é a historia da marca. Estamos, ainda assim, longe de conseguir pranchas sustentáveis. O meu objetivo é construir uma prancha que tenha zero pegada. Que é quase impossível. Estamos longe, mas estamos a começar um caminho», conclui Gonçalo.

Leia outras histórias na DN Ócio de agosto. Este domingo, dia 5 de agosto com o Diário de Notícias, e depois nas bancas avulso.