Populi: comida portuguesa com toque italiano para turistas e não só

A completar sete anos, o restaurante Populi continua a apostar numa cozinha portuguesa com influencias italianas. Apesar de mais de metade da clientela ser turista, os portugueses não se sentem estrangeiros. O prémio Best Value atribuído em 2016 pelo jornal USA Today continua a fazer sentido num espaço onde a relação preço/qualidade é boa e recomenda-se.

Texto Filipe Gil

O Terreiro do Paço é um local obrigatório de passagem para quem visita Lisboa. Longe vão os tempos em que os automóveis estacionados dominavam a praça e os corredores por baixo das arcadas só tinham gente de fato e gravata que entravam e saiam dos ministérios que ocupavam quase por completo os edifícios da praça. Atualmente, e quando não está vento ou o calor impossível em dias de canícula o Terreiro que é Praça do Comércio é uma espécie de Ágora dos turistas que ali desembocam para ver o Tejo de perto ou sentarem-se numa das muitas esplanadas que ocupam as arcadas.

Junto ao Torreão Nascente, aberto há sete anos, o restaurante Populi tem uma dessas esplanadas servidas pela cozinha dos chefs Giorgio Damasio (chef executivo) e Ricardo Estevas (que passou pelo Porto de Santa Maria, no Guincho). Por lá, quer nas esplanadas ou no interior do restaurante, é servida comida portuguesa com influências italianas. E apesar de 70 por cento da clientela ser turista, o restaurante não é pensado apenas para eles – como garante o chef Ricardo Estevas.

Chef Ricardo Estevas

Em 2016 foi eleito na categoria “Best Value” pelo jornal USA Today como o melhor de Lisboa. O meio de comunicação social reconheceu a relação preço/qualidade da comida do Populi.

Visitamos o espaço num dia em que um festival de música toma conta da praça principal. Por vezes, quando isso acontece nem abrem o restaurante, diz-nos o chef Ricardo Estevas. Naquele dia porém, estavam abertos e o staff fez tudo para que fosse um dia o mais normal possível e não existisse o barulho da música que teimava em invadir o restaurantes.

A conselho do chef Ricardo Estevas as entradas começaram um Ceviche de salmão com vinagrete de wasabi (12€). Seguido de um Carpaccio de novilho (12€). Para pratos principais a influência italiana num Risotto de cogumelos (Portobello, Pleurotus, Paris e Marron) aromatizados com trufa preta (14,90€).

Ainda nos pratos principais seguiram-se as Vieras coradas com puré de aipo bolbo com maçã crocante (21€). Fora a maçã, que parecia estar a mais no prato, pareceu-nos uma das opções mais equilibradas. As vieras no ponto e o aipo em puré a equilibram os sabores. Na carne a escolha do chef foi para o Entrecôte com trinta dias de maturação assente em legumes na grelha e feijão branco à moda da Toscana (23,50€).

Para sobremesa, três das mais interessantes propostas: Bolo de mousse de chocolate com bola de gelado de coco e telha de amêndoas (6,50€), Sericaia com ameixa de Elvas (6€), claro e um Cheesecake de frutos vermelhos.

Deu para perceber as razões do tal “Best Value” do USA Today. No Populi, que muda a ementa a cada seis meses, quer seja na esplanada ou no interior do restaurante (no piso térreo ou na mezanine) é possível ter-se uma experiência de cozinha bem feita, acima da média, por preços em conta para os portugueses e que, certamente, muitos turistas vão talvez achar demasiado barato para o que é oferecido.


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