Plácido Domingo regressa a Portugal para encontrar novos talentos

«A ópera vai existir para sempre.» A garantia foi dada por Plácido Domingo que, até ao próximo domingo, 2 de setembro, estará no Teatro Nacional de São Carlos (TNSC) em Lisboa a avaliar aqueles que são os mais promissores jovens cantores da atualidade.

Texto de Patrícia Tadeia | Fotografias de Sara Matos (Global Imagens)

É uma estreia para o TNSC. Com 225 anos de história, é pela primeira vez que recebe a Operalia. A 26.ª edição do evento mundial, criado pelo tenor e maestro espanhol Plácido Domingo, decorre entre esta segunda-feira e domingo e vai acolher 40 jovens cantores de 24 países. Entre eles dois portugueses.

A soprano Rita Marques e o tenor Luís Gomes (que o Diário de Notícias deu a conhecer na edição desta semana) fazem parte de um lote já restrito de cantores que estão já nos quartos-de-final da prova. «Todos os anos nos chegam centenas de gravações. Temos um júri de quatro pessoas que analisa as 600 a 700 gravações e selecionam os melhores. Em todas as edições do concurso só uma vez tivemos alguém que deve ter enviado a ária de outro cantor [risos]», confessou o maestro durante a conferência de imprensa de apresentação do evento.

O atual diretor-geral da Ópera de Los Angeles hesitou entre se dirigir aos jornalistas em espanhol ou inglês. Acabou por optar pelo inglês a maior parte do tempo. «Estou muito orgulhoso de trazer a Lisboa este evento, temos um rol de vozes extraordinárias, é uma competição difícil pela qualidade dos cantores que vêm de todos os cantos do mundo. É com muita alegria que regresso a este teatro de grande prestígio», conta recordando o momento passado ali mesmo, há 20 anos, quando cantou «Otello» de Verdi, e onde não havia voltado desde então.

Agora regressa como mentor do projeto. «Respeito e admiro todos os jovens que participam neste concurso. Hoje em dia, não sabem a sorte que têm. Há 40 anos, tínhamos de fazer muitos sacrifícios, trabalhar para poder estudar. Ainda assim, esta é uma carreira muito difícil. É um trabalho duro a tempo inteiro. E principalmente para as mulheres com filhos. Tenho muita admiração por todas as mulheres cantoras e mães», disse ainda o também embaixador da Rolex que apoia esta iniciativa.

Uma iniciativa que diz chegar cada vez mais aos mais jovens. «Dizem que a ópera está fora de moda. Mas, recentemente, quando estive num teatro em Madrid, olhei para a plateia e 15 a 20 pessoas tinham menos de 40 anos. Não podemos viver sem música. A ópera vai existir para sempre», garantiu.

A 26.ª edição do Operália mistura-se com os 225 anos do S. Carlos, espaço inaugurado em 1793, e com os 25 anos da Orquestra Sinfónica Portuguesa (OSP), que Plácido Domingo vai dirigir no último dia do evento, domingo, único dia em que o evento será aberto ao público.

Dos 40 cantores, serão selecionados – pelos 13 elementos do juri – 20 que, na quinta-feira, irão disputar a meia-final. A final contará com 10 cantores. Mas afinal o que faz um bom cantor de ópera? De acordo com Plácido, as principais qualidades que estes devem possuir são «uma boa voz e uma personalidade forte». Dos 40, um sairá vencedor, mas mesmo os que não vencem têm aqui uma forte oportunidade. Foram apresentados aos 13 elementos do júri do concurso, na maioria diretores-gerais de teatros de ópera internacionais.