Os dois chefs mais mediáticos de Lisboa estão agora empatados nas estrelas Michelin

É a grande surpresa da noite de Gala Michelin. Henrique Sá Pessoa alcançou a segunda estrela Michelin, para o Alma, em Lisboa. Dois anos depois de se ter estreado na gala de todos os sabores – na altura em Girona -, o chef português duplica o galardão e festeja, desta vez, em terras lusas. José Avillez manteve a segunda estrela no seu Belcanto.

Texto de Marina Almeida e Patrícia Tadeia

Dois dos chefs portugueses mais mediáticos, ambos de Lisboa, têm agora 2 estrelas Michelin. Leia o perfil de cada um:

Henrique Sá Pessoa nasceu em 1976, em Oeiras. O gosto pela cozinha surgiu tarde, durante o intercâmbio que realizou nos Estados Unidos da América (EUA). Para tal contribuiu uma palestra a que assistiu por lá sobre o Institut Cordon Bleu, uma conceituada escola de gastronomia, hotelaria e gestão que traz no currículo.

Pelos EUA, entre 1996 e 1997, tirou o curso de cozinha no Pennsylvania Institute of Culinary Arts na cidade de Pittsburgh. Mas a carreira profissional começou em Londres, onde viveu até 1999, tendo trabalhado no Park Lane Hotel, em Picadilly.

No ano seguinte, mudou-se para Sidney, na Austrália, onde trabalhou no Sheraton on the Park, durante os Jogos Olímpicos.

Regressou a Portugal em 2002, passando pelo Lapa Palace, Restaurante Cirpiani, Restaurante Xarope em Cascais, La Villa na praia do Tamariz, Bairro Alto Hotel e Restaurante Flores.

Em 2005 venceu o Concurso Chefe Cozinheiro do Ano e foi depois responsável pela cozinha do Restaurante Panorama, no Sheraton Lisboa Spa e Hotel, até 2008.

Seguiu-se uma passagem para a televisão, com programas como Entre Pratos e Ingrediente Secreto. E a 14 de fevereiro de 2009 abriu ao público o seu primeiro restaurante, Alma.

Foram precisos sete anos para vencer a primeira estrela. O mais influente guia gastronómico atribuiu-lhe uma estrela Michelin, em 2016.

Aos 39 anos, José Avillez manteve as duas estrelas Michelin para o Belcanto na Gala da entrega das estrelas Michelin realizada em Lisboa.

A história de José Avillez chef talvez comece em Cascais, onde cresceu, talvez recomece na universidade, quando fez um trabalho sobre a imagem da gastronomia portuguesa para o curso de comunicação Empresarial no ISCEM, ou quando fez um estágio «transformador» no restaurante El Bulli: onde quer que tenha começado, não se sabe onde vai acabar. José Avillez tem 12 restaurantes em Portugal, duas estrelas Michelin no Belcanto e promete não ficar por aqui.

«Nunca sonhei chegar onde estou. Consegui-o porque tenho uma equipa dedicada, apaixonada e entusiasmada, que se distingue pela vontade de aprender sempre mais e fazer cada vez melhor», escreve o chef no site do seu império da restauração.

Em fevereiro, depois de receber o Grand Prix Art de la Cuisine dizia em entrevista ao Diário de Notícias: «Eu acredito que as ideias andam assim à nossa volta, temos de estar disponíveis para elas. Cada vez mais me acontece olhar para um prato vazio e pensar o que é que posso servir lá. É como uma tela vazia e o pintor pensa o que vai pintar. Ou olhar para uma maçã e pensar o que é que posso fazer com ela, ou comer um prato português tradicional e pensar como é que eu o posso reinventar.»

Na Gala Michelin 2019, aquela onde foi anunciada a manutenção da segunda estrela, liderou a equipa de chefs portugueses que prepararam o jantar para 500 pessoas em Lisboa.

A cozinha portuguesa esteve sob os holofotes da cozinha internacional e José Avillez estava orgulhoso: «Espero que a grande exposição mediática desta cerimónia traga um importante retorno em termos de visibilidade internacional e confirmação da grande qualidade dos nossos produtos, da nossa gastronomia, dos nossos profissionais, da nossa restauração e do nosso turismo», referiu Avillez, orgulhoso com o facto de Lisboa acolher a importante cerimónia. «É um importante reconhecimento da evolução da restauração em Portugal e também um importante passo na validação do posicionamento que Portugal merece ter no panorama gastronómico mundial».