Orquídeas e orquidoidos encontram-se na maior exposição da Península Ibérica

Graziela Meister, presidente da Associação portuguesa de Orquidofilia, no jardim de sua casa (Artur Machado / Global Imagens)

À décima edição, a Exposição Internacional de Orquídeas do Porto recebe plantas carnívoras, cactos e suculentas, especialistas da Colômbia (o país com maior variedade de orquídeas), bonsais e as associações espanholas de orquidofilia. Uma festa. De 5 a 7 de abril.

Texto de Marina Almeida

Mesmo ao telefone, conseguimos ver Graziela Meister de orquídea na mão no dia do seu casamento, há 50 anos. Foi o início de uma paixão que dura até hoje. Começou num T4, com orquídeas aqui e ali à janela, e alastrou-se à casa que posteriormente construiu, com o arquiteto a prever na planta um “cantinho” para as orquídeas em flor e duas estufas. Hoje tem mais de dois mil exemplares e é a presidente da Associação Portuguesa de Orquidofilia (APO), que organiza a 10ª Exposição Internacional de Orquídeas do Porto.

É um dos destaques desta feira, que funciona como um íman para os “orquidoidos”. Ou “orquidependentes” – ri-se a colecionadora e amante destas plantas.

Ainda nem bem começou esta edição (decorre na Exponor entre os dias 5 e 7 de abril), já está a tratar da próxima, em contactos para Dresden, na Alemanha, onde todos os anos decorre a maior feira mundial. É que Graziela Meister aproveita a vinda à Europa de grandes especialistas e colecionadores, para os trazer ao Porto. Este ano, vem um casal da Colômbia, membros do conselho mundial de orquídeas, que viaja, pelo mundo em júris e palestras. É um dos destaques desta feira, que funciona como um íman para os “orquidoidos”. Ou “orquidependentes” – ri-se a colecionadora e amante destas plantas.

Outra novidade, é a presença de plantas carnívoras na mostra: “é muito bom ter nas nossas estufas porque essas plantas comem os insetos”, sem recorrer a inseticida ou prejudicar o ambiente, diz. Também os catos e suculentas se juntam à exposição, porque “há cada vez mais orquídeas na natureza que se alojam nos catos”.

Não consegue precisar quantas variedades de orquídeas vão estar na Exponor – milhares. Há um frenesi anunciado de camiões carregados de plantas com origem em Espanha, mas também expositores do Brasil, Argentina, Equador, Perú e Malásia (muitos deles, lá está, chegam depois de fazer a feira de Dresden).

Os especímenes mais raros podem custar 300 euros, mas hoje em dia é possível comprar orquídeas a partir dos dois euros. “Há cada vez mais gente a colecionar, com variedade e qualidade nas suas coleções”, refere Graziela Meister. Muito graças ao trabalho “árduo” que a APO, que junta já 540 associados, tem feito. Workshops de divulgação e de formação, explicando como se cuida das plantas. “As pessoas conforme nós vamos ensinando, vão comprando mais e o comércio aumenta”, refere. A associação promove sete a oito workshops por mês e algumas exposições e venda em todo o país – esta é a maior.

A casa de Graziela contempla um recanto para as orquídeas e duas estufas (Artur Machado / Global Imagens)

Nada que seja comparável a quando Graziela se tomou de amores por esta planta. “Não me pergunte porquê, que eu não sei responder. Sei que quando me casei, em vez de flor de laranjeira levei uma orquídea, mas não sei porque a escolhi”. Escolheu, casou-se e apaixonou-se, também, pela flor. Na altura só havia um horto junto ao Hospital de Santo António no Porto, que tinha algumas orquídeas. Leu muito, viajou perguntando, e hoje é especialista. Talvez este gosto venha do pai, que era suíço e sempre teve grandes jardins em casa. Graziela tem o seu cantinho das orquídeas. Cuida delas todos os dias. De manhã senta-se a olhar para elas ao pequeno-almoço. Apostamos que não vai sair da Exponor sem um novo exemplar para a sua coleção.

10ª. Exposição Internacional de Orquídeas do Porto
Exponor, Matosinhos, de 5 a 7 de abril
Das 10 às 19.00
Bilhete: 4 euros (exceto sócios da APO)

Detalhe da edição do ano passado da Exposição Internacional de Orquídeas do Porto (Ivo Pereira/Global Imagens)

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