O Sála do chef João Sá merece uma visita

A rua dos Bacalhoeiros começa a entrar numa rota gastronómica de uma Lisboa menos convencional e turística. Por lá, o chef João Sá tomou um espaço no qual fez a sua sala de comer.

Texto de Filipe Gil

O restaurante Sála do chef João Sá abriu em finais de setembro sem pompa e circunstância. De propósito. A ideia, diz o chef, foi ganhar pulso ao espaço e à cozinha, apurado a escolha dos pratos sem os stress de estreias cheias de buzz mediático.

Estratégia parece ter sido acertada, numa rua onde comensais estrangeiros chegam quase que por acaso vindos das ruas menos calmas das redondezas. E que por isso mesmo, a Rua dos Bacalhoeiros está a ser redescoberta também pelos portugueses., o Sála dá mais motivos por por lá passar.

Comecemos pela espaço dominado pela madeira clara e pela luz que entra pela janelas. Há ali um certo encontro entre o design nórdico e cadeiras portuguesas que fazem parte do nosso imaginário. Há 34 lugares entre os quais seis ao balcão, onde ficamos na primeira fila do espetáculo da cozinha em ação.

Quanto há comida, há um statement que o chef gosta de repetir: “Não servirei comida que eu próprio não comesse, nem bebida que não bebesse”. Os pratos e o paring de vinho, escolhidos por uma soumellier da Costa Rica especialista em vinhos nacionais, confirmaram o cuidado do chef.

A refeição começou com um pão. Daqueles feitos artesanalmente e que nos fazem devolver memórias antigas quando o pão ainda era digno desse nome (e sabor).

Seguiu-se um Bao (massa asiática) feito de forma bem portuguesa com carne de porco e molho de ostras e coentros. Há no Sála uma grande aposta nos vegetais, mas também no marisco e no peixe. Comprovado pelo segundo prato do menu de degustação (cinco pratos por 42€): carabineiro com presunto e castanhas.

No Sála os hidratos ficam quase de lado, a não ser no croissant de batata com vários tipos de cogumelos e trufa preta (e no pão do início). O croissant é um dos pratos de sucesso. Um louvor dos clientes para os minutos que demora a preparar – oito unidades demoram mais de um par de horas, contou-nos João Sá.

Experiência não falta a este chef de 32 anos. Antes de ter trabalhado com o mediático Ljubomir Stanisic, no 100 Maneiras em Cascais e no Viajante de Nuno Mendes, em Londres, passou pela Bica do Sapato sob a batuta de Fausto Airoldi.
Sheraton Porto e dois meses no Viridiana de Madrid (com uma estrela Michelin) fazem parte do CV. O Sála é a sua segunda experiência a solo depois do G Spot de Sintra, há quase uma década atrás.

E como se costuma dizer a sorte protege os audazes. Por isso mesmo ou foi muita sorte de quem provou a comida ou ela sabe mesmo a futura estrela Michelin. O tempo o dirá, e não deve faltar muito.


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