Melhores velejadores do mundo lutam pelo título em Cascais

«Esta vela veste Prada», podia ouvir-se por Cascais durante esta que é mais uma edição das Rolex TP 52 Super Series, o circuito mundial de monocascos de alta performance.

Texto Patrícia Tadeia

Falamos do «Luna Rossa», um dos nove barcos em competição até este sábado no Clube Naval de Cascais. O dono é Patrizio Bertelli, chefe executivo do grupo Prada, e casado com Miuccia Prada, neta de Mario Prada, que fundou a marca em 1913. Mas nem só de Prada se faz esta competição. Nem tão pouco mais ou menos.

Em Cascais, o DN Ócio encontrou alguns dos melhores velejadores do mundo que por terras portuguesas preparam a America’s Cup, a mais famosa e prestigiada regata do universo náutico, que decorre de quatro em quatro anos. A próxima será em 2021.

Mas estes velejadores não perdem tempo. São nove novos barcos, cada um com um custo de 3 milhões de euros, os que «desfilam» pela marina de Cascais.

Em cada uma das nove embarcações – de oito países diferentes – há doze tripulantes que compõem as melhores equipas de vela do mundo. Mas apenas uma se sagrará campeã, com direito a receber um Rolex Oyster, o primeiro relógio de pulso à prova de água lançado pela marca em 1926.

A associação da Rolex – marca fundada por Hans Wilsdorf em 1905 – a desportos como a vela é antiga. Já dura desde finais dos anos 50, com uma ligação forte a vários clubes navais. Por isso, a paragem em Cascais era inevitável.

«Cascais é atualmente uma das melhores localizações para competições desta classe», avança Agustin Zulueta, CEO das 52 Super Series, que nos guia pelo Clube Naval, aquando da preparação de mais uma Coastal Race, durante o terceiro dia de competição.

A azáfama é imensa. Velas a passar, velejadores a fazer últimos preparativos, e principalmente a comer. As próximas quatro horas serão no mar, e sem tempo para qualquer «snack». «Há um limite de peso no barco e todos os velejadores têm de fazer controlo de peso para não ultrapassarem o limite. Temos velejadores com 60 kg e outros com 110 kg. Varia também consoante a função deles no barco», conta ainda.

Em competição há pelo menos uma mulher em cada equipa. O membro mais novo de cada equipa tem 16 anos, o mais velho 67. «A maioria tem mais de 30 anos. Estes velejadores passam 70 dias por ano a competir», explica ainda Agustin, que nos tempos de velejador participou em três America’s Cup.

«Há um limite de peso no barco e todos os velejadores têm de fazer controlo de peso para não ultrapassarem o limite.»

Está tudo a postos e os monocascos zarpam da marina. Seguem para a linha de partida, enquanto a DN Ócio entra a bordo do The Albatroz. «A largada da regata é um momento crucial, porque são barcos de sete toneladas e é preciso criar velocidade antes da largada. É quando se dão as cartas da regata», explica o estratega da equipa «Onda» Robert Scheidt, cinco vezes medalhado olímpico e eleito por duas vezes Rolex World Sailor of the Year e embaixador Rolex.

«Guardo excelentes memórias de Cascais. Foi aqui que ganhei o Ouro no campeonato mundial Star em 2007. É um lugar onde tenho muitos amigos e gosto muito de voltar aqui», continua Rob que está pela primeira a velejar com uma equipa brasileira: «Esta é a melhor etapa do ano. A mais exigente. Cascais é um dos melhores locais para velejar na Europa.»

«A minha função a bordo como tático é tomar decisões baseadas no vento, na meteorologia, no conhecimento que temos do campo de regatas… É preciso tomar decisões sobre o percurso, tentar fazer uma rota o mais rápida possível para alcançar o objetivo», conlui ainda o embaixador Rolex.