Como mudar um pneu de um Fórmula 1 na casa-mãe da equipa da Renault

São pouco mais de mil os habitantes desta pequena vila a mais de 100 quilómetros de Londres. Pelas ruas que conduzem às casas de quem por ali mora, em Enstone, o som dos carros é quase inexistente. O mesmo não acontece, ali bem ao lado, na sede da equipa da Renault Sport Formula One. É a Enstone que os monolugares da Renault regressam entre cada uma das provas. É em Enstone que se fabricam os chassis dos veículos amarelos que vemos na competição de carros mais famosa do mundo. Foi em Enstone que a DN Ócio esteve, a convite da Bell & Ross, marca de relógios que tem uma parceria com a Renault há já três anos.

Texto de Patrícia Tadeia*

A aventura começa com um atraso de mais de uma hora. A partida de Portugal era adiada à medida que o comandante do voo da British Arways comunicava um problema com o rádio e consequentemente com a comunicação com a torre de controlo. Uma hora depois do previsto, partíamos rumo a Heathrow. Ora, o atraso ditou que o transfer com os restantes jornalistas convidados já tivesse seguido para Enstone. Problema rapidamente resolvido pela Bell & Ross que nos indicou um táxi que nos levou por quase uma hora de viagem.

O sol ainda brilhava no Reino Unido neste primeiro dia. As temperaturas essas, bem mais baixas do que as que se registavam em Portugal, ainda convidavam a um passeio pelo campo. Pela zona rural que envolve a sede da equipa da Renault Sport Formula One.

À chegada, e depois de um brunch convidativo, dois monolugares a receber-nos com pompa e circunstância. Enquanto isso, o diretor de marketing, David Ménochet, falava um pouco sobre a história daquele que é o quartel-general da equipa, antes de nos guiar por um tour dos locais onde nascem e são desenhados os famosos Fórmula 1.

A Renault estreou-se na Fórmula 1 no GP da Grã-Bretanha de 1977 com o piloto francês Jean-Pierre Jabouille.

«O motor sempre foi fabricado em França, o chassis é construído aqui. Temos um grande edifício com centenas de profissionais de 22 nacionalidades. Não interessa de onde são. Só nos interessa o talento», refere o francês que se mudou para Enstone há 3 anos.

Enquanto invadíamos, em silêncio, os escritórios de desenvolvimento 3D, tentando não incomodar os designers, ficávamos a conhecer um pouco de como será o carro da equipa no próximo ano. E recordávamos também a estreia da Renault na Fórmula 1 no GP da Grã-Bretanha de 1977 com o piloto francês Jean-Pierre Jabouille.

Depois uma visita ao «wind tunel», onde são feitos todos os testes com simulação de velocidades de 200 a 300 km/h, onde se fazem os cálculos para que nada corra mal. E onde cada minuto é contabilizado pela Federation Internationale de l’Automobile – FIA.

«Entre etapas da competição os carros são desmontados e viajam em peças de volta para aqui. Só quando as etapas são demasiado perto uma da outra é que não regressam», explica ainda.

Depois da visita, – por esta altura já chovia – aguardava-nos uma experiência inesperada: mudar um pneu de um Fórmula 1 na companhia de Nico Hulkenberg, o piloto alemão que juntamente com Carlos Sainz integra a equipa da Renault.

Depois de uma breve explicação, a que Nico também este atento – pois este não é de todo o seu departamento -, mãos à obra. Luvas e óculos colocados, coordenação e rapidez. É esse o segredo para o sucesso durante o «pit stop», paragem durante uma corrida na área das boxes onde se encontram os mecânicos, para que se possam trocar os pneus e reabastecer o combustível. A equipa da DN Ócio, fez o trabalho em 2,9 segundos, no limite dos 3 segundos que um «pit stop» deve demorar. «Não foi muito difícil», confessou Nico, no final da experiência.

Mas a aventura do mundo automóvel estava longe de terminar. O dia que se seguia era de grandes emoções. E por isso, depois de uma viagem até Bedford, nada melhor do que descansar e jantar no «d’Pary», um charmoso e carismático hotel, com apenas 14 quartos, bem perto do Bedford Park.

O dia seguinte começa cedo e rumo ao complexo PalmerSport, no autódromo de Bedford. «Ora, preciso da sua carta de condução. E de saber se tem ou teve algum episódio de ataques de ansiedade ou de emoção excessiva?», questiona um dos membros da equipa, no momento da inscrição.

A pergunta explica-se pelo facto de irmos testar vários carros a velocidades pouco habituais, e aqui a equipa de jornalistas desfaz-se. Estamos uns contra os outros, num desafio de velocidade e aptidão. E a aventura começa mesmo por aí. Com uma experiência de obstáculos com um Land Rover Defender, em que o objetivo passava por acertar em obstáculos, descer e subir ravinas, atravessar um lago, e percorrer trilhos inusitados – tudo do lado «contrário» do automóvel. Simon, o instrutor, deu-nos um «Excelent», pontuação máxima deste teste. Começamos a perceber que a velocidade não é a nossa praia – já vão perceber porquê. Mas sim a exatidão.

«A Renault Sport Formula One Team e a Bell & Ross partilham o mesmo objetivo de ultrapassar os limites.»

Ainda assim, a experiência prossegue com um percurso num Caterham Pursuit, momento em que entramos Jorge, um português que se torna no nosso próximo instrutor. A ideia é fazer «donuts», e não estamos a falar de doces. Estamos a falar de movimentos circulares, geralmente com a roda dianteira com menos movimento. Tarefa complicada para amadores.

Depois de umas voltas num percurso com Karts, segue-se um novo desafio que – confessamos – achámos que não íamos cumprir. O Palmer JP-LM é um carro já muito semelhante a um Fórmula 1 mas com dois lugares e que chega aos 265 km/h. Jorge foi o nosso companheiro, numa aventura que aconselhamos a quem tiver receio de velocidades – ou tiver tido um acidente de estrada recentemente como era o nosso caso. Ficámos em último lugar, mas tivemos direito a um «smile» no livro de avaliações. E acima de tudo, ultrapassámos alguns medos.

O último dos carros testados apenas por alguns dos jornalistas foi o Formula 3000, um monolugar que permite a experiência mais semelhante à de um F1. Com o motor junto ao banco, todas as sensações são maximizadas durante esta corrida.

A convite da Bell & Ross, ultrapassámos receios e limites. «A Renault Sport Formula One Team e a Bell & Ross partilham o mesmo objetivo de ultrapassar os limites. É extremamente importante para a nossa marca este ano e esta parceria simboliza o que pode ser alcançado quando a precisão e a velocidade se unem. Embarcamos em uma jornada emocionante com a Renault Sport Formula One, e 2018 não será diferente», avançou Carlos A. Rosillo, CEO da Bell & Ross à DN Ócio.

A parceria da marca de relógios com a Renault já dura há três anos e consiste no lançamento de três os cronógrafos R.S.18, inspirados no novo carro de competição monolugar da Renault. Engenharia mecânica, velocidade, desempenho e design desportivo são as palavras que dão o mote para esta série de três relógios, cujo preço vai dos 5.900 euros aos 165.000 euros.

*A jornalista Patrícia Tadeia viajou para Londres a convite da Bell & Ross.