Big Fish Poke: pedaços de Havai na taça

Os pokes vieram para ficar. Não há local da moda, dos restaurantes às esplanadas de praia, que não os tenham na carta. Agora, perto do Cais do Sodré, em Lisboa, há um restaurante e cocktail bar que se dedica em exclusivo a essas taças de comida de inspiração havaiana. O Big Fish Poke quer dar a conhecer as verdadeiras regras dos pokes.

Texto de Filipe Gil

São modas que pegam sem ninguém perceber porquê. Já passamos pelos restaurantes japoneses que abriam a cada esquina e que, afinal, depois descobrimos que era obra de chineses empreendedores. Os verdadeiros restaurantes japoneses são muito poucos.
Antes disso foi a invasão de restaurantes de churrasco brasileiro e, mais recentemente as hamburguerias nas esquinas de (quase) todos os bairros. Agora são os poke (e os ceviches). Encontramo-los quase em todo o lado. Mesmo que a carta do local nada tenha de inspiração havaiana ou nipónica.

No entanto, para nos esclarecermos em relação aos pokes e à sua proveniência, abriu, em meados de abril um restaurante dedicado a este prato. O Big Fish Poke aposta na gastronomia havaiana e no sake. Confuso? Explicamos mais à frente.

Comecemos, antes, por explicar o que é um poke: é um prato havaiano de forte influência japonesa Como a palavra poke indica (significa “pedaço” em havaiano).

A abertura do restaurante, que tem 20 lugares ao balcão mais duas mesas para quatro e ainda uns lugares encostados à fachada, foi feito com a a ajuda do norte-americano Andrew Mayer (fundador do Poke OG em Miami), que trabalhou 15 anos com o chef japonês Roy Yamaguchi, pioneiro, há 35 anos, da chamada cozinha de fusão. Roy Yamaguchi é um dos membros fundadores do movimento Hawaii Regional Cuisine.

Mayer veio até Portugal e, como consultor, desenvolveu as receitas dos pokes juntamente com Luís Gaspar, chef executivo do restaurante Sala de Corte (e vencedor do concurso Chefe Cozinheiro do Ano em 2017), e que aprendeu a trabalhar novas técnicas e novos produtos, estudando as culturas havaiana e japonesa. O chefe residente do Big Fish é Filipe Narciso (ex-Minibar), autor das entradas e sobremesas – algumas com inspiração portuguesa (ver galeria de imagens).

Uma vez explicado, passemos à carta. E sim, o sake não está esquecido. Na visita que fizemos ao restaurante começamos com uma sopa miso com cogumelos enoki, rabanete e coentros com dashi de shitake e, para partilhar, pelo Tuna Musubi, inspirado na sanduíche rápida com o mesmo nome, típica da street food havaiana, e pelos Sashimi Scallops XO, as vieiras braseadas com XO, um molho com umami, Dynamite aioli, um aioli picante, molho de sésamo e lima Kaffir. É mais que percetível a influência nipónica na cozinha do havaí.

Em relação aos pokes, seguiu-se a sugestão do chef: Big Fish, Aloha Shrimp, Spicy Salmon, Rocky Pineaple – este último vegetariano. Há mais opções na carta. Quem já provou pokes noutros locais menos inspirados nota logo a diferença, que sobretudo tem a ver com a qualidade do produto.

Finalmente, o sake!

Para além dos chás quentes e frios (maioritariamente asiáticos), há também cocktails como o Mai Tai de abacaxi e amendoim, e o sake, claro. Fernão Gonçalves, responsável pela carta do bar, tem ao dispor uma garrafeira com muitos e raros sakes, envelhecidos ou em espumante. Vale a pena a visita só para descobrir a panóplia desta aguardente de arroz. E também, claro, para finalmente percebermos a verdadeira filosofia (e sabor) de um poke bem confecionado.

Contactos:
Rua da Moeda nº 1 G -Lisboa
Domingo a 5ª das 12h às 00h
Sextas, sábados e vésperas de feriado das 12h à 1h00
Não aceita reservas


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