Alentejo em Lisboa ao balcão do novo O Frade

Mesmo ao lado do Palácio de Belém há, desde abril, uma esquina alentejana. Mais concretamente no restaurante O Frade que reabriu 20 anos depois de ter fechado em Beja. Lá dentro, comida típica da região com toques contemporâneos e muita vontade de partilhar.

Texto de Filipe Gil

O restaurante O Frade abriu portas em Lisboa em abril naquilo a que os empresários da restauração chamam agora de soft opening. Que é como quem diz: tempo para testar e afinar ideias. É uma boa estratégia. Na visita que fizemos tudo pareceu funcionar de forma organizada mas descontraída, como se quer no Alentejo.

Mas este não é mais um novo restaurante típico alentejano em Lisboa. Há mais história n’O Frade, interrompida há 20 anos quando o restaurante original, em Beja, encerrou portas.

Os primos Carlos Afonso e Sérgio Frade, netos dos proprietários do antigo restaurante bejense, decidiram pegar no nome e recuperar a essência do antigo espaço – e de outras tabernas típicas alentejanas.

Trouxeram a experiência de Carlos, chef que passou por restaurantes como o Marmoris (na altura do chef Alexandre Silva), Bica do Sapato, Azurmendi (o restaurante do chef Eneko Atxa com três estrelas, em Bilbao, Espanha) ou Ocean (duas estrelas em Porches, Algarve). A que juntaram ao saber de Sérgio na produção de vinhos da talha. Por isso, naquele espaço para além de uma cerveja premium de marca espanhola, só se encontram os vinhos portugueses da talha DOC, biológicos e produzidos perto de Cortes de Cima (15 mil garrafas por ano).

“Estes vinhos, todos exclusivamente de talha, hoje são produzidos pelo meu pai. Eles refletem o nosso terroir, a nossa essência, são algo muito especial para nós, que partilhamos apenas com os nossos clientes”, explica Sérgio Frade.

São poucos os lugares (22) no contíguo O Frade. Um par de lugares virados para as janelas dão ainda mais protagonismo ao balcão em formato de “U” com 16 lugares. Segundo o chef Carlos Afonso, a ideia é apelar ao convívio entre os comensais para que possam partilhar a experiência do que estão a comer. O mote está lançado, as pessoas, certamente, farão o resto. Note-se ser quase impossível não estender as vistas para ver o que se come em frente, ao lado ou na outra extremidade do balcão.

Vamos aos pratos

Mas falamos de comida, que é para isso que este texto serve. Ficámos pelos petiscos vários e não pelos pratos principais d’O Frade. Às primeiras garfadas, e não fora o sotaque lisboeta dos companheiros de balcão, o cheiro e sabor da comida levou-nos sem demoras para o Alentejo. 
Provou-se o Pato de Escabeche (9 euros) a que se seguiu, partilhado, claro está, Lulas com Grão (8 euros) e Coelho de Coentrada (8,50 euros).

O pijama do restaurante O Frade. Conjunto das três sobremesas da casa.

A finalizar um pijama (9 euros), conjunto de três porções de três sobremesas: Requeijão com marmelada e canela, Encharcada e Mouse de Chocolate com azeite e flor de sal – que se destacou claramente das restantes sobremesas.

Desde abril até agora, diz o chef Carlos, que o arroz de pato (13,50€) tem conquistado muitos clientes e tornou-se um dos mais pedidos. Acreditamos no chef. Nas duas horas que estivemos dentro d’O Frade vimos que este era o prato mais pedido pelos clientes.

O objetivo dos primos está conseguido, por ora. Ressuscitar o antigo O Frade de Beja e torná-lo numa moderna taberna alentejana numa esquina da capital.

Morada: Calçada da Ajuda, 14 (ao lado do Palácio de Belém)
Horário: Terça a domingo das 13h00 às 23h00


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