A primeira agência portuguesa que encontra villas de luxo para cinema

Patrícia Brito e Cunha, atriz em fase de hibernação, e Vanessa Lima, empresária de turismo, chegaram neste verão com a Nouvelle Shot, uma agência de locais de filmagens com fraquinho pela região de Setúbal e Comporta e óbvia inclinação para décors exclusivos.

Texto de Rui Pedro Tendinha | Fotografias de Pedro Rocha/Global Imagens

Duas sócias, uma amizade e um amor comum por uma região: a península de Setúbal. Patrícia Brito e Cunha e Vanessa Lima já tiveram e continuam a ter muitas vidas, mas neste verão estão a chegar com a Nouvelle Shot, a primeira agência portuguesa de spots para produções de audiovisuais e eventos. O Tarantino precisa de uma mansão com espírito minimal à beira-mar para rodar o próximo filme? Elas arranjam.

Uma empresa de topo precisa de um team building deluxe para os seus quadros a bordo de um barco? Está feito. «Percebemos que havia muita gente em Portugal que fazia repérage de locais para filmagens mas que, por outro lado, não existia nenhuma agência especializada em locais e que pudesse profissionalizar todo o processo. Sentimos logo que o mercado estava recetivo. Queremos muito posicionar esta linda região do Sado como um destino de cinema, um destino do audiovisual! Ambas somos muito apaixonadas pelo nosso país, que é um diamante em bruto. Este é um projeto com paixão a partir de uma região a 38 quilómetros de Lisboa que os próprios portugueses mal conhecem. Temos serra, mar, rio e tudo o que se pode imaginar», referem.

Não falam da luz única, mas é importante não esquecer. Para a DN Ócio, fazem uma visita de cortesia sobre alguns dos possíveis décors. Escolhem casas premium (que Patrícia conhecia devido à sua atividade de empresária nesta área) e locais só possíveis de chegar através dos cordelinhos do know-how de Vanessa, que é também a dona da Sea Life Lovers, empresa de turismo náutico no Sado e que numa tal das outras vidas já foi publicitária.

A primeira visita é um cenário perfeito para um possível filme publicitário que apele ao melhor da vida, talvez cara chapada para um anúncio a um whisky vintage. Uma casa no coração da serra da Arrábida decorada com uma fusão de estilos, onde o único critério é um peso zen. Um edifício ao comprido em pleno ajuste com o charme do arvoredo do parque natural da Arrábida. «É um luxo, não é? Só nós conseguimos que alguém filme aqui. Temos a confiança absoluta dos donos das propriedades», conta Vanessa.

Seguimos para um caminho exclusivo no estuário do Sado. De repente, estamos ao largo das ruínas de Troia. É um espaço para cinema de aventuras ou para uma série com variações de Lost, imaginamos.

Patrícia e Vanessa não dão preferência nem a clientes estrangeiros nem a nacionais, querem é ver a região a sul de Lisboa cada vez mais no mapa do audiovisual. Um desejo bairrista, já que ambas cresceram entre
Azeitão e a Comporta.

Seguimos e na Muda Reserve encontramos mais uma das casas «escondidas que a Nouvelle Shot tem em carteira. Uma villa de luxo isolada perto do famoso hotel Sublime e com um requinte que se espalha por uma branquidão tão minimal como sensual. Pensamos num cenário de um filme romântico, daqueles que podem ser protagonizados por Diane Lane e Richard Gere.

Mais à frente, a Casa de Bambu, outro exclusivo da dupla. Um casarão com anexo em estilo dinamarquês Hygge que lembra as casas de milionários de Cape Cod, nos EUA. Aliás, a vantagem destes locais é que podem servir de muitos outros lugares. Patrícia não esconde: «Somos capazes de dar a um produtor de cinema recantos que nos transportam para África, América ou o deserto. Aqui há de tudo.»

Com Patrícia, fica no ar uma questão: como é que uma atriz que já brilhou nos palcos e na televisão (a última vez que foi vista remonta a 1997) desiste dos holofotes e se torna agente de topo no imobiliário de luxo e no negócio. A resposta é simples: a atriz ainda vai voltar: «Nunca se deixa de ser atriz. Para já, a prioridade é fazer de Portugal um plateau de cinema para o mundo. Se possível, em grande estilo.