A poltrona criada por um português que dá música e faz sucesso

Pesa 80 quilos, chama-se Moon e custa 19.990 euros. A ideia é portuguesa e partiu do engenheiro acústico Pedro Meireles que largou o emprego que tinha para se dedicar inteiramente à Horizon 47, a marca que criou para apresentar esta super poltrona na Maison et Objet, em Paris, em setembro de 2016.

Texto de Patrícia Tadeia

Mas afinal de que falamos? A Moon é uma poltrona com cinco colunas incorporadas. «O produto desenvolvido tem a capacidade de dissimular de forma perfeita o sistema de som, ao mesmo tempo que existe uma preocupação muito grande com o design, conforto e qualidade construtiva», começa por dizer Pedro. «Para funcionar a poltrona terá de ser simplesmente ligada à corrente elétrica, sendo a conectividade com outros aparelhos feita por via Bluetooth e/ou Wifi», acrescenta.

Ao nível tecnológico a grande inovação prende-se na utilização de excitadores acústicos que utilizam a própria estrutura do cadeira para funcionar como coluna do som permitindo uma resposta virada não apenas para o utilizador mas também para o ambiente. Mas Pedro não fica por aqui e sonha mais alto: «O grande objetivo é chegar à indústria automóvel e tentar aplicar o mesmo conceito nos bancos e cockpit de veículos.»

A ideia para este projeto surgiu há três anos. «A minha formação de base é engenharia civil e especializei-me na área da acústica. Tenho família que trabalha na área do mobiliário, o meu avô fundou uma empresa de mobiliário há mais de 60 anos. O que fiz foi juntar os dois lados e criar este projeto», avança Pedro.

Mas daí a criar uma poltrona com som vai alguma distância. A ideia em si surgiu quando um dia, em casa de um amigo, Pedro se deparou com uma coluna que tinha um princípio de funcionamento diferente do habitual. «A coluna funcionava por indução de vibração e utilizava um meio rígido para propagar o som. Por exemplo, ao pousar a coluna numa mesa, o som era amplificado pela mesma e esta passava a funcionar como um altifalante. Achei que esse conceito teria imenso potencial no mobiliário e a partir daí comecei a investigar e a desenvolver a tecnologia para aplicar a uma poltrona. Depois de pensarmos em várias peças foi aquela que achamos que teria mais potencial e interesse», diz Pedro.

«O grande objetivo é chegar à indústria automóvel e tentar aplicar o mesmo conceito nos bancos e cockpit de veículos.»

Depois, desde a primeira ideia até à produção da versão final do produto foram mais três anos. «Em 2016 apresentámo-la em Paris, na Maison & Object, na altura em conjunto com a António Alves, o modelo protótipo deste produto. A receção na altura ao produto foi muito boa o que motivou a continuação do projeto», refere.

Depois de alguns testes de viabilidade tecnológica, a Horizon 47 decidiu subcontratar os serviços de uma empresa inglesa especialista em eletroacústica para averiguar o potencial do projeto e da tecnologia. «Essa empresa é liderada por um português, professor na Universidade de Salford e especialista em eletroacústica. A resposta foi extremamente favorável e decidimos avançar com o desenvolvimento do sistema de som para a poltrona», explica ainda.

Mas afinal que características possui esta cadeira? Trata-se de um produto personalizável com um casco em madeira maciça. «A construção desse casco, e devido à sua elevada complexidade, exige trabalho manual de marcenaria e entalhamento, o que lhe confere um elevado valor acrescentado», diz. O conforto do cadeirão traduz-se também no estofo com uma estrutura e volumetria inovadora e elevada preocupação com o estudo da ergonomia.

«O tecido usado no estofo tem propriedades acústicas específicas que garantam suficiente transparência ao som e está disponível em diversas cores para permitir diversas opções de personalização e maior adaptabilidade a qualquer tipo de espaço», diz ainda Pedro.

O conforto do cadeirão traduz-se também no estofo com uma estrutura e volumetria inovadora e elevada preocupação com o estudo da ergonomia.

O sistema de som está completamente integrado no interior do cadeirão e está dividido em três partes, cada uma responsável por emitir numa gama de frequências específica de forma a obter uma resposta linear e o mais omnidirecional possível.

Com um claro objetivo de atingir o mercado de mobiliário de luxo, os mercados mais interessantes para este produto são os EUA, Ásia e Médio Oriente. «Neste momento ainda não temos vendas pois lançamos o produto à muito pouco tempo e temos andado muito ocupados com a apresentação do projeto e a procura de investidores no setor tecnológico. Vencemos o Prémio Nacional das Industrias Criativas que distinguiu a Horizon 47 como o melhor projeto em Portugal na área das Indústrias Criativas e com isso vamos ter a oportunidade de representar Portugal na Creative Business Cup em Copenhaga. Vamos estar também na Web Summit em Lisboa em novembro já para explorar melhor o setor tecnológico e tentar arranjar investidores, principalmente no setor automóvel», conclui.

Recentemente, a Horizon 47 realizou uma parceria com a Soc. Comercial C. Santos (representante da Mercedes-Benz em Portugal) como campanha de comunicação que juntou dois produtos e duas marcas de luxo.

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