A bailarina costa-riquenha que se especializou em vinho português

Lynn Monge nasceu na Costa Rica. É bailarina mas apaixonou-se pelos vinhos portugueses e hoje é sommelier no restaurante Sála, em Lisboa. E continua a dançar.

Texto de Filipe Gil | Fotografias de João Silva/Global Imagens

Em Portugal sente-se em casa. Veio para estagiar seis meses e ficou sete anos. Mas a relação com o país começou muito antes, ainda na Costa Rica natal, onde aprendeu a língua – a quarta que domina para além do espanhol, inglês e francês.

Mas antes de viver por cá, passou por em Lille, França, onde estudou em relações interculturais. Para trás ficaram anos a dançar na Costa Rica onde se licenciou. Apesar de nunca ter largado a dança – ainda hoje dança todos os dias – a dificuldade de subsistir com a sua arte fê-la optar por outras áreas.

Lynn Monge , sommelier do Restaurante Sála .(João Silva/Global Imagens)

No final do curso em Lille, veio o tal estágio em Lisboa. Gostou e ficou. “Achei Lisboa europeia, muito segura, mas tinha o lado latino que me fazia falta em França” – isto em 2012.

Insistiu em estar ligada à cultura. E continuou a dançar. Deu aulas em vários locais, de Torres Vedras a Alhandra, e colocou em prática a experiência de 15 anos em várias companhias bailado. E depois veio o vinho.

Apesar de ter nascido num país sem cultura vínica, diz que a paixão pelo vinho esteve com ela desde sempre.

Algo que, diz, sempre teve curiosidade. “Sempre fiz viagens de enoturismo e conheci produtores. A paixão, e o conhecimento, foi crescendo e lancei um blogue dedicado ao assunto”.

Conta ainda que os muitos chefs amigos, começaram a incentivá-la a aprofundar mais o conhecimento. E seguiu os conselhos. Começou com vários cursos e entre 2017/2018 conclui o de escanção. Apesar de ter nascido num país sem cultura vínica, diz que a paixão pelo vinho esteve com ela desde sempre. “Acho fascinante como de uma uva sai todo um ser vivo, com personalidade e espírito e que pode contar e falar muitas coisas. E tal como a dança, tem a capacidade de fazer conhecer pessoas que nada têm em comum”.

No final do curso de escanção foi quase de improviso que começou a trabalhar no restaurante Sála, do chef João Sá. Um convite de uma colega levou-a à restauração – não estava nos seus planos. O projeto, o espaço, o ambiente mais íntimo do Sála e a personalidade tranquila e de mente aberta do chef trocaram-lhe as voltas.

E no Sála tem tentado desafiar as pessoas a experimentarem coisas diferentes, conta. “Apaixonei-me pelos vinhos da Bairrada e no início quando os recomendava todos duvidam dos meus conselhos, mas isso já mudou”. E agora descobriu os vinhos de mesa da Madeira “com a salinidade própria da região e que aparecem pouco em Lisboa”.

Talvez seja mais uma aposta para desafiar os comensais a saírem da zona de conforto com vinhos menos óbvios. No futuro, quer viajar e conhecer mais sobre o mundo do vinho. Por enquanto, continua no Sála e a dançar. “Todos os dias, nem que seja pela manhã, em casa”.


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