Viterbo: de mãe para filha, um sucesso com quase 50 anos

Atrás de uma grande mulher há sempre um grande homem. Gracinha Viterbo e Miguel Vieira da Rocha são casados e dirigem juntos os destinos da Viterbo. A empresa de arquitetura, interiores e decoração tem quase 50 anos e continua a ser uma referência incontornável na área.

Texto de Carla Macedo | Fotografias de Jorge Amaral e Paulo Spranger / Global Imagens

Subir as escadas em direção ao Cabinet of Curiosities funciona como prenúncio de entrada num mundo mágico. No primeiro andar de um pequeno edifício no Estoril sucedem-se as salas cheias (literalmente cheias) de objetos singulares que Gracinha Viterbo recolhe ou encomenda e coleciona dos quatro cantos do mundo.

A designer não está sozinha. Miguel Vieira da Rocha encarrega-se da gestão da Viterbo, empresa-mãe com escritório em Birre, Cascais, de onde partem as operações nacionais e internacionais para transformar o mundo num lugar mais bonito através dos projetos de arquitetura de interiores e de decoração.

No total, o armazém transformado em escritório, ateliê de projetos de arquitetura, design de interiores e de exteriores alberga uma equipa de 25 pessoas que viajam com frequência para instalar casas inteiras no Extremo Oriente ou em Angola.

O Cabinet of Curiosities está longe dessa agitação de empresa internacional. Este é «apenas» o lugar onde o gosto pelo que é único se expõe. «É um espaço para relembrar as pessoas daquilo que faz a diferença. Eu acredito no poder do detalhe e do que é artesanal,» diz Gracinha.

Ao cimo das escadas sucedem-se as salas: uma totalmente pintada de preto para que todos os candeeiros brilhem, uma forrada com grandes bastidores de tecidos aplicados na parede, num pequeno quarto um cachorro grand danois de loiça em tamanho natural, pinturas chinesas do século XIX, um quartinho de vestir com os vestidos e os turbantes criados por Gracinha.

«O que mais gosto na Gracinha é a capacidade de criar e antecipar tendências», diz o gestor Miguel Vieira da Rocha que é também marido da designer. «A meio da noite diz-me “e se fizéssemos isto?” Três ou quatro meses depois começa a ver-se as coisas com aquela cor ou aquele formato. Ao nível de negócio, às vezes, até é arriscado porque os clientes podem não perceber.»

Gracinha Viterbo e Miguel Vieira da Rocha conheceram-se quando tinham 12 e 14 anos, através de um amigo comum. «Mas só nos apaixonámos dez anos depois», faz questão de dizer a designer. As viagens constantes e as temporadas fora do país, ele em Macau, ela no Brasil e depois a estudar em Londres, criavam encontros fortuitos. «Eram olá e adeus». Só no ano 2000 voltariam a encontrar-se, na passagem de ano, num monte alentejano.

Demoraria algum tempo, no entanto, até que viessem a trabalhar juntos. Gracinha com um emprego no ateliê da designer Kelly Hoppen, em Londres. Miguel trabalhava «num dos primeiros sites de vinhos do Porto».

Entretanto, Gracinha volta para Portugal e a dá-se a mudança do irmão, Bruno Abreu Loureiro, para os EUA. Ele que era a peça-chave no departamento financeiro do ateliê Viterbo. E Miguel assume o cargo. «A Viterbo estava a crescer e era preciso um diretor que estruturasse, que organizasse, que projetasse a Viterbo como empresa, e não apenas como ateliê de decoração», explica Gracinha.

Miguel afirma não ter «dúvidas de que o talento que a Gracinha e qualquer um dos projetos nossos feitos pela Gracinha estão ao nível dos de qualquer criador internacional». Ele faz a gestão e a estratégia de como atingir os melhores resultados possíveis, financeiros e de reconhecimento do trabalho de Gracinha no mundo inteiro. Ela lidera os projetos criativos. As decisões fundamentais para a Viterbo são sempre tomadas a dois e nunca tomam decisões sobre as quais não estejam ambos seguros a cem por cento.

«Aprendemos a ter sempre um espaço no meio para onde atiramos as nossas ideias. Não estamos em confronto, não é um a querer ter razão sobre o outro.» É um diálogo paciente para encaixar perspetivas distintas.