Vestidos que dão nova vida aos bordados de Viana

Criar vestidos bordados à mão em Viana do Castelo. O mote estava dado. A ideia de Marta Champalimaud foi ganhando forma à medida que pegava numa técnica centenária e a trazia de volta à vida em vestidos de inspiração vintage. E assim nascia a Martine Love.

Texto de Patrícia Tadeia | Fotografias de Leonardo Negrão (Global Imagens)

«Sempre trabalhei com lojas de roupa no projeto da minha família. Sempre adorei o bordado de Viana. Ia vendo em casa dos meus avós, da minha mae. As famílias portuguesas têm quase todas no enxoval o bordado de Viana presente. Um dia quis o destino que eu tropeçasse numa casa de bordados em Viana, conheci as pessoas que lá trabalham e começámos a desenvolver os primeiros protótipos», começa por explicar Marta.

Daí até à primeira coleção foram vários meses. A primeira coleção nasceu em abril de 2018. «Começámos com 60 peças. Mas já fizemos cerca de 100 e está quase tudo vendido», recorda a responsável da Martine Love. «Não repito muito os modelos. Faço um limite de cinco reproduções por modelo. Mas a exclusividade mantém-se sempre. É um fator que nos demarca», garante.

A marca direciona-se para mulheres de todas as idades e com um objetivo: que as peças passem de geração em geração. Atualmente a vender tanto para Portugal como para fora, Marta está focada em colocar a marca em várias lojas: Madeira, Algarve e Comporta passam pelos planos da jovem empreendedora.

Os vestidos – a maioria no formato camiseiro e os kaftans – nascem num ateliê em Guimarães e de lá seguem para Viana onde são bordados. Tudo à moda artesanal, claro. Os preços vão dos 140 aos 390 euros. O processo demora cerca de 3 semanas. O facto de ser um produto totalmente feito à mão tem gerado muita procura.

Procura essa que tem dado uma boa dor de cabeça a Marta: «É um bordado centenário que já teve muito mais artesãs. Esta arte sofreu muito com a crise. Foi desaparecendo, a juventude acabou por não pegar na técnica. Agora temos um desafio pela frente: captar novos talentos, chamar a atenção para esta profissão.»

Atualmente a preparar a coleção de 2019, que trará algumas novidades como o macacão por exemplo ou as versões compridas, Marta está constantemente a caminho de Viana. «Temos de encontrar mais bordadeiras. Ir a Viana e conversar com as pessoas», diz.