Rembrandts, Mary Quant e Van Gogh para ver em 2019 em museus pela Europa

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Muitas e variadas exposições vão chegar aos museus europeus em 2019. Londres é o epicentro, mas Amesterdão é ponto de passagem obrigatório. E Madrid, com os 200 anos do Museu do Prado, imperdível.

Texto de Marina Almeida

Christian Dior: Designer of Dreams
Museu Victoria & Albert, Londres
De 2 de fevereiro a 14 de julho

Uma grande exposição dedicada ao costureiro Christian Dior, com a proposta de uma viagem pelo seu mundo da moda desde 1947 até à atualidade. A mostra, baseada num trabalho do Museu de Artes Decorativas de Paris, junta as ligações do criador francês à Grã Bretanha – os jardins, os grandes navios, as princesas, as bailarinas. A exposição apresenta 500 objetos dos arquivos Dior, entre os quais 200 raras peças de alta costura, assim como acessórios, fotografias, ilustrações e revistas, bem como objetos pessoais do costureiro.

Christian Dior com a modelo Sylvie, cerca de 1948. (FOTO:Christian Dior)

Todos os Rembrandts
Rijksmuseum, Amesterdão
15 de fevereiro a 10 de junho

Os 300 anos da morte de Rembrandt são pretexto para várias iniciativas. O epicentro acontece no Rijksmuseum, e um dos pontos altos é a exposição de 22 quadros e 60 desenhos do mestre pintor holandês, All The Rembrandts [Todos os Rembrandts]. O museu de Amesterdão é o guardião da maior coleção de obras de Rembrandt, mas a delicadeza e raridade destas obras faz com que esta seja uma oportunidade única para as ver todas juntas. A partir de julho, a obra central da exposição, The Night Watch, vai para restauro e o mundo é convidado a acompanhar os trabalhos: o museu vai transmitir online toda a operação.

Fusilamiento de Torrijos y sus compañeros en las playas de Málaga (FOTO:Museu do Prado)

Una pintura para una nación. Los fusilamientos de Torrijos (1888)
Museu do Prado, Madrid
de 23 de março a 30 de junho

Com esta mostra, o Museu do Prado assinala os 150 anos da conversão de Museu Real em Museu Nacional. Comissariada pelo chefe de conservação de pintura do século XIX do museu espanhol, Javier Barón, a exposição tem como foco o quadro de Antonio Gisbert, Fusilamiento de Torrijos y sus compañeros en las playas de Málaga. «Este quadro, o mais destacado do último período da pintura da história de Espanha, junta à sua qualidade pictórica uma intensa carga política em defesa da liberdade», refere o museu. A pintura fica como memória coletiva do fuzilamento de José María Torrijos (1791-1831), político liberal, e dos seus companheiros, à ordem do rei Fernando VII. A pintura foi uma encomenda o Prado, concluída em 1888. A mostra conta estas e outras histórias, junta dos desenhos preparatórios e muita informação essencial.


O modelo negro de Géricault a Matisse
Museu D’Orsay, Paris
26 de março a 21 de julho

A representação da figura negra nas artes visuais desde 1794 (abolição da escravatura em França) à atualidade é o tema desta exposição que o Museu D’Orsay inaugura em março. Com curadoria de Cécile Debray, diretora do museu, entre outros, a exposição interessa-se pelo diálogo entre o artista que pinta, esculpe, grava ou fotografa e o modelo que posa e explora a representação dos negros nas obras de Théodore Géricault, Charles Cordier, Jean-Baptiste Carpeaux, Edouard Manet, Paul Cézanne e Henri Matisse. Até 10 de fevereiro, a mostra estará em Nova Iorque, na Wallach Art Gallery da Universidade de Columbia.

Auto-retrato de Van Gogh (Tate Britain)

Van Gogh and Britain
Tate Britain, Londres
27 de março a 11 de agosto

A relação entre Vincent Van Gogh e a Grã-Bretanha no centro da exposição que a Tate Britain reserva para os meses de março a agosto. Van Gogh and Britain será a primeira reflexão sobre o artista nascido na Holanda em 1853 e o país onde viveu entre 1873 e 1876. Mostra como o pintor foi inspirado pela arte, literatura e cultura e como inspirou artistas como Francis Bacon. Na Tate Britain estarão 45 obras do artistas, provenientes de coleções públicas e privadas de todo o mundo. Entre elas, um raro Girassóis de 1888, da National Gallery ou Noite Estrelada (1888), da coleção do Museu D’Orsay (Paris).

Giacometti no Prado
Museu do Prado, Madrid
de 2 de abril a 7 de julho

Nunca é demais contemplar as figurinhas delicadas de Alberto Giacometti. Desta vez, a proposta do Museu do Prado – que este ano assinala os seus 200 anos com um extenso programa -, é encontrar a arte do suíço em diálogo com peças da coleção do museu espanhol. Giacometti en el Prado apresenta 17 esculturas e duas pinturas de Giacometti num diálogo imaginário com obras da coleção permanente do Prado. Há que ouvir a conversa.

Mary Quant a escolher tecidos em 1967 (Foto: Tate Britain/Getty Images)

Mary Quant
Museu Victoria & Albert, Londres
De 6 de abril a 16 de fevereiro de 2020

Pensa-se em Mary Quant, pensa-se em mini-saia. Mas a mulher que revolucionou a moda feminina é muito mais do que a polémica (mini) peça de vestuário que inventou há mais de 50 anos. Isso mesmo se propõe mostrar o Victoria & Albert, a partir de abril, na primeira retrospetiva internacional sobre a designer de moda. Aqui os vinte anos entre 1955 e 1975, em que Quant escreveu a história da moda, são mostrados em detalhe em mais de 120 peças de roupa, acessórios, cosméticos, desenhos e fotografias. “A moda não é frívola, faz parte de estar vivo hoje”, disse Mary Quant. A estilista tem atualmente 84 anos.

 

Fra Angelico e o Renascimento
Museu do Prado, Madrid
De 28 de maio a 22 de setembro

O surgimento do Renascimento em Florença e a figura de Fra Angelico é outra proposta do Museu do Prado. Organizada em torno de La Anunciación (1420), considerada uma das primeiras obras primas de Fra Angelico, pertencente ao acervo do museu madrileno, é comissariada por Carl Brandon Strehlke, conservador emérito do Philadelphia Museum of Art, especialista no Renascimento florentino.
Velázquez, Rembrandt e Vermeer
Museu do Prado, Madrid
25 de junho a 29 de setembro

Uma grande exposição dedicada à pintura holandesa e espanhola do final do século XVI e início do século XVII. Confluencias: Velázquez, Rembrandt, Vermeer y los Siglos de Oro español y holandés, vai apresentar obras da coleção do Rijksmuseum, numa importante colaboração entre as duas instituições. É comissariada por Alejandro Vergara, chefe de conservação de Pintura Flamenca e escolas do Norte até 1700 do Museu Nacional do Prado.

Paul Gauguin,
Self-Portrait Dedicated to Carrière, 1888 ou1889
(National Gallery of Art, Washington, DC)

Gauguin Portraits
National Gallery, Londres
De 7 de outubro a 26 de janeiro de 2020

A primeira exposição dedicada aos retratos de Paul Gauguin, pintor francês nascido em 1848 em Paris. O autor de uma das pinturas mais caras do mundo vendida em leilão (Nafea Faa Ipoipo, de 1892, vendida em 2014 por 262 milhões de euros), surge na National Gallery só representado pelos seus retratos. São 50 obras (entre os quais vários auto-retratos), pintura, trabalhos em papel e objetos tridimensionais, provenientes de coleções públicas e privadas de todo o mundo, para ver ao longo de quase três meses, no final do ano.