Terminal de Cruzeiros de Lisboa é o único português na corrida ao mais importante prémio de arquitetura da Europa

Terminal de Cruzeiros foi inaugurado em 2017 (Foto:FG+SG)

Projeto de José Luís Carrilho da Graça está entre os 40 da shortlist do mais importante prémio de arquitetura europeu, hoje divulgada. É o único projeto português, depois de uma fase inicial em que estavam nomeados 20.

Texto de Marina Almeida

O Terminal de Cruzeiros de Santa Apolónia é o único projeto português ainda em concurso no prémio Mies van der Rohe de arquitetura 2019. O edifício, inaugurado em novembro de 2017, é da autoria do arquiteto Carrilho da Graça. Está na lista de 40 projetos selecionados pelo júri de prémio de arquitetura contemporânea, onde figuram projetos de 17 países europeus.

O país com mais projetos a concurso é a França, com sete, seguido de Espanha, com seis. Esta é a primeira seleção do júri do prémio europeu de arquitetura. Depois de uma lista inicial de 383 projetos, foi hoje conhecida a shortlist de 40. A 13 de fevereiro serão anunciados os cinco finalistas.

A lista inicial contemplava 20 projetos de arquitetos portugueses, 17 dos quais construídos em Portugal e três no estrangeiro. A decisão do júri surge após três dias de reunião em Barcelona, onde se situa a sede da Fundação Mies van der Rohe, em que os sete jurados discutiram «os mais importantes desafios da sociedade contemporânea e da arquitetura que a Europa enfrenta». Segundo o comunicado hoje divulgado, a maior parte dos projetos finalistas são estruturas de Cultura, como museus ou centros culturais (15, no total), seguindo-se os de Educação, com seis edifícios de escolas, universidades ou bibliotecas. Na categoria de Infraestruturas, onde se insere o Terminal de Cruzeiros de Lisboa, apenas está o projeto português a concurso.

«Os 40 trabalhos evidenciam uma nova agenda que pede novas formas de pensar. Excelência e perícia são inerentes a todas, mas isso não é suficiente. É necessário que também causem impacto e façam os próprios arquitetos pensarem de uma forma diferente na profissão. É muito refrescante ver como o debate arquitetónico se move pela Europa, mudando seu centro de discussão de um lugar para outro ao longo dos anos. Isso mantém a arquitetura viva», disse Dorte Mandrup, a arquiteta dinamarquesa presidente do júri desta edição.

Entre os projetos portugueses que não passaram a nova fase de seleção está a Capela do Monte, de Siza Vieira, o Teatro Camões, de Manuel Graça Dias e Egas José Vieira, a Torre de Picoas, em Lisboa, do atelier Barbas Lopes, bem como a Faculdade de Arquitetura de Tournai (Bélgica), do atelier Aires Mateus ou a Capela do Vaticano, de Eduardo Souto Moura para a Bienal de Arquitetura de Veneza.

Volume desenhado por Carrilho da Graça junto ao Rio Tejo, em Lisboa (FOTO: Rita Burmester)

O prémio, no valor de 60 mil euros, instituído em 1987 pela Comissão Europeia e pela Fundação Mies van der Rohe, com sede em Barcelona, é considerado um dos galardões de maior prestígio na área da arquitetura. Para além do vencedor, distingue também os arquitetos emergentes.