Tem 20 lugares e é o melhor restaurante do mundo

O chef Kobus van der Merwe no Wolfgat, que saiu vitorioso na primeira edição de The World Restaurant Awards (DR)

Chama-se Wolfgat, fica junto à praia em Paternoster, na África do Sul e é o restaurante do ano pelo The World Restaurant Awards. O anúncio foi feito em Paris e entre as várias peculiares categorias, Alain Ducasse recebe a de melhor chef… sem tatuagens.

Texto de Marina Almeida

Utilizam produtos locais, o peixe, fresquíssimo, de pescadores da vila situada a duas horas da Cidade do Cabo, Paternoster. O Wolfcat não poderia ser de outra forma, diz o chef Kobus van der Merwe, que há dois anos abriu o restaurante. As refeições são preparadas para o exato número de reservas, os produtos colhidos ou comprados para esse exato número, de forma a reduzir o desperdício. Sustentabilidade é a palavra chave no Wolfcat, considerado o melhor restaurante do mundo pelos cem jurados do The World Restaurant Awards.

“São algumas ideias que não vemos em muitos restaurantes, não são práticas, mas eu acho que as ideias de muitos restaurantes tradicionais têm de ser desafiadas”, diz Kobus van der Merwe, um ex jornalista que há oito anos deixou a Cidade do Cabo para ajudar os pais numa mercearia e no pequeno restaurante familiar em Paternoster. Há dois anos, Kobus abriu o Wolfgat. Quer servir os produtos o mais natural possível. Já ganhou vários prémios, o mais recente esta segunda-feira numa cerimónia em Paris.

Foi a estreia dos The World Restaurant Awards. A organização deste novo evento, é liderada por dois gastrónomos reputados, Joe Warwick, jornalista e autor do bestseller “Where Chefs Eat”, e pelo italiano Andrea Petrini, influente jornalista da área. Os dois estiveram na origem dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo e avançam agora para esta espécie de Óscares da gastronomia para “celebrar os restaurantes como cultura, tal como o são considerados os filmes, a arte ou a música”. As categorias do The World Restaurant Awards são diversas, abrangentes, inéditas e, algumas delas, bem-dispostas.

O chef francês Alain Ducasse no restaurante Le Louis XV no Hotel de Paris em Monte-Carlo, no Mónaco (REUTERS/Eric Gaillard)

O chef francês Alain Ducasse foi distinguido em Paris como o melhor chef sem tatuagens e o restaurante Mugaritz, de Andoni Aduriz, em San Sebastian, com a melhor carta de vinhos (Forward Drinking).

Na lista de nomeados aos The World Restaurant Awards estavam dois projetos portugueses: o Comboio Presidencial (eventos do ano) e os cachorrinhos da Cervejaria Gazela, no Porto (prato da casa).

O comboio presidencial estava na lista de eventos do ano
( Pedro Granadeiro / Global Imagens )

Entre os cem jurados de todo o mundo, há três portugueses.

A lista completa de premiados

Big Plates (12 categorias pensadas para distinguir a excelência e promover a diversidade)
Restaurante do ano – Wolfgat (Paternoster, África do Sul)

Novidade do ano – Inua (Tóquio, Japão)

Ambiente do ano – Vespertine (Los Angeles, EUA)

Colaboração do ano – Paradiso X Gortnanain (Cork, Irlanda)

Enduring Classic (clássico aberto há mais de meio século) – La Mère Brazier (Lyon, França)

Ethical Thinking – Refettorio (Food For Soul) (vários locais, Itália)

Evento do ano – Refugee Food Festival (Paris, France)

House Special (prato da casa do ano) – Lido 84 (Cacio e Pepe) (Lombardia, Itália)

Forward Drinking – Mugaritz (San Sebastian, Espanha)

Restaurante sem reservas do ano – Mocotó (São Paulo, Brasil)

Destino remoto do ano – Wolfgat (Paternoster, África do Sul)

Original Thinking – Le Clarence (Paris, França)

Small Plates

Conta Instagram do ano – Alain Passard (@alain_passard) (Paris, França)

Melhor peça jornalística do ano – Lisa Abend, The Food Circus, Fool Magazine

Melhor carta de vinhos do ano – Noble Rot (Londres, Reino Unido)

Chefe sem tatuagens – Alain Ducasse (Paris, França)

Trolley do ano – Ballymaloe House (Cork, Irlanda)

Restaurante livre de pinças do ano – Bo.Lan (Bangkok, Tailândia)