Souto Moura, Siza Vieira e Barbas Lopes bisam nas nomeações para os prémios Mies van der Rohe

São 20 projetos portugueses na lista de nomeados dos prémios de arquitetura Mies van der Rohe, 17 dos quais em Portugal. Foram hoje anunciados os 383 candidatos ao mais importante prémio de arquitetura europeu.

Texto de Marina Almeida

Portugal tem 20 projetos entre os nomeados para o prémio Mies van der Rohe de arquitetura. Desses, 17 são construídos em território nacional e três no estrangeiro – a faculdade de arquitetura de Tournai, na Bélgica, do atelier Aires Mateus, a igreja de Saint Jacques, em Rennes, França, de Álvaro Siza Vieira e a capela do Vaticano para a bienal de Veneza, Itália, de Eduardo Souto Moura. Souto Moura, Siza Vieira e o atelier Barbas Lopes bisam nestas nomeações, hoje conhecidas.

Entre os projetos distinguidos nesta primeira lista, construídos em Portugal, está a Torre de Picoas (FPM41), do atelier Barbas Lopes – que, com o palacete Barão de Santos, ambos em Lisboa, soma duas nomeações. Também Siza Vieira tem duas nomeações, com a igreja de Rennes e a capela do Monte, em Lagos, assim como Eduardo Souto Moura, com o projeto da Barragem de Foz Tua e as capelas do Vaticano, para a Bienal de Arquitetura de Veneza.

São 383 projetos nomeados pelo júri do Mies van der Rohe, em 38 países, 238 cidades europeias. Espanha lidera, com 27 nomeações, seguida da Bélgica, com 21. «Os nomeados de 2019 destacam áreas metropolitanas pela localização da maioria dos trabalhos, mas o mapa revela uma geração de eixos como Dublin-Bruxelas-Lubljana-Tirana, onde cem milhões de europeus vivem e um terço do número total de trabalhos nomeados foi construído», disse Ivan Blasi, coordenador do prémio.

Os projetos portugueses nomeados são: Centro de Artes de Águeda, do atelier AND-RÉ (Bruno André e Francisco Salgado Ré), Barragem de Foz Tua, de Eduardo Souto Moura, Capela do Monte, de Siza Vieira, Hotel Rural Casa do Rio, Menos é Mais arquitetos (Francisco Vieira de Campos), Promise – Casa do Caseiro, de Camilo Rebelo, Casa Rotativa, de Pedro Bandeira, Capela da Eterna Luz, em Ponta Garça, na ilha de São Miguel, Açores, de Bernardo Rodrigues, o Centro Interpretativo do Vale do Tua, do atelier Rosmaninho + Azevedo (Susana Rosmaninho e Pedro Azevedo), Casa na Rua do Quelhas, de Inês Lobo, a Praça Fonte Nova, em Lisboa, de José Adrião Arquitetos, o Teatro Luís de Camões, de Manuel Graça Dias e Egas José Vieira, Casa na Rua do Paraíso, do atelier FALA, Capela de Nossa Senhora de Fátima, de Plano Humano Arquitetos, o terminal de cruzeiros de Lisboa, de Carrilho da Graça e a Reabilitação da Casa Andresen e Estufas, e Reabilitação da Casa Salabert, no Botânico do Porto, do atelier Nuno Valentim.

O júri, presidido pela dinamarques Dorte Mandrup, é constituído ainda por George Arbid, Angelika Fitz, Ștefan Ghenciulescu, Kamiel Klaasse, María Langarita e Frank McDonald.

Três novos países foram convidados a participar na edição 2019, Arménia, Kosovo e Tunísia.

A shortlist de 40 projetos será anunciada a 16 de janeiro e os 5 finalistas a 13 de fevereiro, após visita do júri aos locais.

O prémio Mies van der Rohe de arquitetura contemporânea tem uma periodicidade bienal e é atribuído pela fundação Mies van der Rohe e pela Comissão Europeia desde 2001. O vencedor recebe 60 mil euros, o arquiteto emergente 20 mil. Na edição 2017, Portugal teve 13 projetos nomeados e quatro na shortlist.

Siza Vieira foi o primeiro vencedor do prémio Mies van der Rohe de arquitetura em 1988, com a agência do banco Borges e Irmão, em Vila do Conde.